DigLitWeb: Digital Literature Web

E-E


Arquivos e Edições Electrónicas

Ano Lectivo 2005-2006

Mestrado e Pós-Graduação em Estudos Anglo-Americanos

Programa do seminário de Estudos Culturais II

Docente: Manuel Portela

 

Os arquivos e edições electrónicas modificam a transmissão e o uso dos textos. A cultura digital está em vias de transformar o modo como se ensina e se estuda literatura. Depois da reflexão sobre a reprodução electrónica e o hipertexto, levados a cabo no seminário Cultura Digital e Estudos Literários, este seminário tem como objectivo principal conhecer e explorar recursos electrónicos dedicados à literatura e cultura inglesa e norte-americana. A aplicação da crítica textual ao hipertexto implicará a observação e manipulação de arquivos e edições electrónicas, considerando aspectos como: formas de apresentação e estruturação, autenticidade e estabilidade textual, produtores e destinatários, propriedade e acesso. Pretende também promover o uso de textos e fontes electrónicas na aprendizagem, no ensino e na investigação. O levantamento de recursos será feito de modo exemplificativo através de arquivos que permitam equacionar temas e problemas específicos da história e da edição literária na sua transmissão electrónica. Além de um mapa anotado de navegação que permita apresentar determinada edição ou arquivo numa sessão do seminário, o trabalho final consistirá na análise crítica de uma edição ou arquivo electrónico, quer de um ponto de vista textual, quer identificando potencialidades e limitações dos seus usos na aprendizagem, no ensino e na investigação. O trabalho produzido será integrado na página web do seminário, DigLitWeb: Digital Literature Web.

 

Electronic Editions and Archives

Electronic editions and archives change the transmission and uses of texts. Digital culture is transforming the ways in which we read, teach, and study literature. After an extended examination of electronic reproduction and digital textuality (issues addressed in the previous seminar, 'Digital Culture and Literary Studies'), this seminar intends to explore and analyse online resources devoted to English and North-American literature. Testing textual theory in hypertext environments will mean observing and handling various archives and editions. Attention will be paid to such issues as forms of presentation, file and hyperlink structure, textual authenticity and stability, producers and consumers, property and access. This seminar also expects to encourage the critical use of electronic texts and digital resources for learning, teaching, and research purposes. Selected archives and editions will be analysed in terms of specific problems of literary history in its electronic transmission. Students are required to present and analyse one electronic edition or archive in class. This edition or archive will then be critically assessed, both in textual terms, and in terms of its achievements and/or shortcomings for learning, teaching, and research purposes. Selected papers and assignments written for the seminar will be published in the seminar website, DigLitWeb: Digital Literature Web.

 

1. A tecnologia digital nas Humanidades na última década

1.1. levantamento de recursos no campo dos estudos literários de língua inglesa

1.1.1. Bibliotecas Digitais e Centros de Textos Electrónicos

1.1.2. Edições e Arquivos em Linha

1.1.3. Bases de recursos e apontadores

1.2. aprendizagem, ensino e investigação em ambiente electrónico

1.2.1. aspectos institucionais: colectivização do conhecimento; colaboração entre instituições; cruzamento das fronteiras disciplinares

1.2.2. aspectos cognitivos: restruturação da informação; descentramento dos textos

1.2.3. aspectos comunicacionais: democratização do acesso; acesso remoto

1.2.4. aspectos económicos e jurídicos: noções de propriedade e autoria em meio digital; distribuição da edição electrónica

1.2.5. aspectos textuais: textualidade icónica; géneros literários digitais; simulação do códice; limites do modelo informacional da linguagem

2. Apresentação e análise de sítios, arquivos e edições electrónicas

 

 

Bibliografia

a. Estudos literários computacionais e levantamento de recursos electrónicos

Clark, Robert (2000): “Literacy, the Book and the Internet: Retrospects and Prospects”, in The European English Messenger, IX/2: 57-61.

Clark, Robert (2002): “The Electronic Revolution Gains Pace”, in The European English Messenger, XI/1: 73-75.

Hopkins, Lisa (2001): “Shakespeare and the Renaissance on the Web”, in The European English Messenger, X/1: 69-70.

Piette, Adam (2003): “The Opening of the Field: IT and English Studies”, in The European English Messenger, XII/2: 54-55.

Rodriguez, María Rosario Caballero (1999): “Using a Concordancer in Literary Studies”, in The European English Messenger, VIII/2: 59-62.

Schreibman, Susan (1999): “Humanities Computing: Text to Hypertext”, in The European English Messenger, VIII/1: 55-57.

 

b. Crítica textual e edição electrónica

Abram, Kathryn (2002): “Electronic Textuality: A Bibliographic Essay”, in <http://www.mantex.co.uk/ou/resource/elec_txt.htm> (acesso 12-05-2004)

Crane, Gregory (1998): “The Perseus Project and Beyond: How Building a Digital Library Challenges the Humanities and Technology”, in D-Lib Magazine, January 1998, <http://www.dlib.org/dlib/january98/01crane.html> (acesso 12-05-2004)

Dean, Gabrielle (2002): “Emily Dickinson’s ‘Poetry of the Portfolio’ ”, in Text: An Interdisciplinary Annual of Textual Studies, Ed. W. Speed Hill and Edward M. Burns, Vol. 14: 241-276.

Eaves, Morris (1997): “Behind the Scenes at the Blake Archive: Collaboration Takes More Than E-mail”, in Journal of Electronic Publishing, December 1997, Volume 3, Issue 2, <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;view=text;rgn=main;idno=3336451.0003.202> (acesso 12-05-2004)

Eaves, Morris (1997): “Behind the Scenes at the Blake Archive: Collaboration Takes More Than E-mail”, in Journal of Electronic Publishing, December 1997, Volume 3, Issue 2, <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;view=text;rgn=main;idno=3336451.0003.202> (acesso 12-05-2004)

Everest, Kelvin (2000): “Historical Reading and Editorial Practice”, in Joe Bray, Miriam Handley & Anne Henry (eds.), Ma(r)king the Text: The Presentation of Meaning on the Literary Page, Aldershot: Ashgate, pp. 193-200.

Fraistat, Neil & Steven E. Jones (2003): “Immersive Textuality: The Editing of Virtual Spaces”, in Text: An Interdisciplinary Annual of Textual Studies, Ed. W. Speed Hill and Edward M. Burns, Vol. 15: 69-82.

Gaskell, Philip (1995): A New Introduction to Bibliography, Winchester: St. Paul’s Bibliographies, [1972, 1974].

Glazier, Loss Pequeño (2001): “Introduction” in Digital Poetics (Alabama University Press), in http://epc.buffalo.edu/authors/glazier/dp/intro1.html

Greg, W.W. (1950-51): “The Rationale of Copy-Text”, in Studies in Bibliography, Volume 3, pp.19-36, <http://etext.virginia.edu/etcbin/toccer-sb?id=sibv003&images=bsuva/sb/images&data=/texts/english/bibliog/SB&tag=public&part=2&division=div> (acesso 12-05-2004)

Hockey, Susan (1997): “Electronic Texts: The Promise and the Reality”, in American Council of Learned Societies Newsletter, Volume 4, Number 4, February 1997,  <http://www.acls.org/n44hock.htm> (acesso 12-05-2004)

Kiernan, Kevin S. (1994): “Digital Preservation, Restoration, and Dissemination of Medieval Manuscripts”, <http://www.uky.edu/~kiernan/welcome/1993.htm> (acesso 27-08-2008)

Landow, George  (2004): “Is this hypertext any good? Evaluating quality in hypermedia”, in dichtung-digital: journal für digitale ästhetik 2004/3, <http://www.brown.edu/Research/dichtung-digital/2004/3/Landow/index.htm> (acesso 08-04-2005)

Lavagnino, John (1995): “Reading, Scholarship, and Hypertext Editions”, in TEXT: Transactions of the Society for Textual Scholarship 8 (The University of Michigan Press): 109-124. <http://www.stg.brown.edu/resources/stg/monographs/rshe.html>

Martin, Julia & David Coleman (2002), “Change the Metaphor: The Archive as an Ecosystem”, in Journal of Electronic Publishing, April 2002, Volume 7, Issue 3, <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;cc=jep;q1=3336451.0007.3*;rgn=main;view=text;idno=3336451.0007.301> (acesso 12-05-2004)

McGann, Jerome (1991): “Texts and Textualities” and “Conclusion”, in The Textual Condition, Princeton, New Jersey: Princeton University Press, pp. 3-16, 177-186.

McGann, Jerome (2002): “The Gutenberg Variations”, in Text: An Interdisciplinary Annual of Textual Studies, Ed. W. Speed Hill and Edward M. Burns, Vol. 14: 241-276.

Portela, Manuel (2005): DigLitWeb: Digital Literature Web, sítio web no endereço <www.ci.uc.pt/diglit>

Schillingsburg, Peter L. (1999): “Electronic Editions”, in Scholarly Editing in the Computer Age: Theory and Practice, Ann Arbor: University of Michigan Press [1ª ed. 1996], pp. 161-171.

Stauffer, Andrew M. (1998): “Reprint: Tagging the Rossetti Archive: Methodologies and Praxis”, in Journal of Electronic Publishing, December 1998, Volume 4, Issue 2, <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;cc=jep;q1=3336451.0004.2*;rgn=main;view=text;idno=3336451.0004.209> (acesso 12-05-2004)

Sutherland, Kathryn, ed. (1997): Electronic Text: Investigations in Method and Theory, Oxford: Clarendon Press.

Tanselle, G. Thomas (1990): “Classical, Biblical, and Medieval Textual Criticism and Modern Editing” [1983], in Textual Criticism and Scholarly Editing, Charlottesville: University Press of Virginia, pp. 274-321.

Tanselle, G. Thomas (1996): “Textual Instability and Editorial Idealism”, in Studies in Bibliography, Volume 49, pp. 1-60, <http://etext.virginia.edu/etcbin/toccer-sb?id=sibv049&images=bsuva/sb/images&data=/texts/english/bibliog/SB&tag=public&part=1&division=div> (acesso 12-05-2004)

Unsworth, John (1997): “Documenting the Reinvention of Text: The Importance of Failure”, in Journal of Electronic Publishing, December 1997, Volume 3, Issue 2,  <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;cc=jep;q1=3336451.0003.2*;rgn=main;view=text;idno=3336451.0003.201> (acesso 12-05-2004)

Willett, Perry (1996): "The Victorian Women Writers Project: The Library as a Creator and Publisher of Electronic Texts.", in The Public-Access Computer Systems Review 7, no. 6 (1996) <http://info.lib.uh.edu/pr/v7/n6/will7n6.html> (acesso 12-05-2004)

 

c. Normas textuais para edições electrónicas

Shillingsburg, Peter (1993): “General Principles for Electronic Scholarly Editions”, in <http://sunsite.berkeley.edu/MLA/principles.html> (acesso 12-05-2004)

Modern Language Association of America (Committee on Scholarly Editions) (2002): “Guidelines for Electronic Scholarly Editions”, in <http://sunsite.berkeley.edu/MLA/guidelines.html> (acesso 12-05-2004)

Modern Language Association of America (Committee on Scholarly Editions) (2003): “Guidelines for Editors of Scholarly Editions with Guiding Questions for Vettors, a Glossary, and an Annotated Bibliography”, in <http://jefferson.village.virginia.edu/~jmu2m/cse/CSEguidelines.html> (acesso 12-05-2004)

 

© Manuel Portela [Maio de 2005]

mportela@fl.uc.pt

 

 


Ensaio de Análise de um Sítio, Arquivo ou Edição Electrónica

Ano Lectivo 2003-2004

Mestrado e Pós-Graduação em Estudos Anglo-Americanos

Trabalho final do seminário de Estudos Culturais II

Docente: Manuel Portela

 

A. Perguntas para um modelo de apresentação em aula

2.1. O que contém o sítio/arquivo/edição?

2.2. Quem são os autores/(as)/editores(as) do sítio/arquivo/edição?

2.3. Quais as instituições que o albergam e patrocinam?

2.4. Que critérios textuais foram aplicados na selecção e digitalização dos materiais?

2.5. Como está organizado o sítio/arquivo/edição?

2.6. Que ferramentas oferece ao/à utilizador/a?

2.7. Como posso usá-lo enquanto leitor(a)/ aluno(a)/ professor(a)/ investigador(a)?

2.8. De que forma altera o conhecimento acerca do autor(a)/ período/ obra em causa?

2.9. Como está definido o acesso aos materiais que contém?

2.10. Como está definida a propriedade sobre os materiais que contém?

2.11. As ligações do sítio/arquivo/edição mantêm-se activas?

2.12. O sítio/arquivo/edição continua a ser actualizado?

B. Estrutura em três passos

1- Breve enquadramento dos problemas de edição em ambiente electrónico, com referência a teorias textuais e a teorias da edição aplicadas ao meio electrónico;

2- Caracterização da natureza específica do objecto a analisar (sítio/ arquivo/ edição, etc.). Nesta parte do ensaio serão mobilizadas, de forma sintética e sempre integrada no argumento, algumas das informações recolhidas para a apresentação feita no seminário. A importância relativa dos vários aspectos (estrutura; conteúdos; critérios textuais; destinatários; meta-informação sobre o sítio/arquivo/edição; acesso; propriedade; financiamento; enquadramento institucional; possíveis utilizações; etc.) depende do argumento do ensaio. Os exemplos do sítio/arquivo/edição devem ser inseridos através de hiperligações;

3- Avaliação crítica que permita apontar limitações e potencialidades do sítio/ arquivo/ edição em causa, designadamente do ponto de vista textual (ou seja, articulando com as questões problematizadas no passo 1) e do ponto de vista da utilização no ensino, na aprendizagem e na investigação. Cito do programa deste seminário: “Os arquivos electrónicos modificam a transmissão e o uso dos textos. A cultura digital está em vias de transformar o modo como se ensina e se estuda literatura.” Pretende-se portanto verificar, na prática, como é que o hipertexto electrónico está a ser/ pode ser usado.

NB: Esta estrutura é meramente indicativa e não deve ser seguida de forma rígida ou exaustiva. O ensaio deve moldar-se à natureza dos objectos, que são muito diferentes entre si nos vários exemplos que escolhemos. Isso resultará na atenção maior a determinados aspectos e problemas específicos. Tal como aconteceu na apresentação, o argumento deve desenvolver-se de forma exemplificativa.

 


Bibliografia essencial

Como foi referido nas sessões em que tratei o problema da edição electrónica, um dos passos preliminares para estarmos em condições de reflectir sobre a edição electrónica é o conhecimento das teorias e princípios que, no domínio dos estudos textuais, têm orientado a produção de novas edições. A bibliografia que indico a seguir cobre o essencial da teoria textual na segunda metade do século XX, permitindo também uma retrospectiva sobre a crítica textual desde a invenção da tipografia (Gaskell; Tanselle). O conhecimento destes textos e conceitos deve estar implícito na análise da especificidade da edição electrónica. Um dos elementos que pretendemos observar é a consciência textual que a edição electrónica revela acerca dos materiais que publica. Convém também ter bem presentes alguns dos textos sobre a edição electrónica que já conhecemos (Lavagnino; Shillingsburg; Eaves; McGann 1996).

 

 

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a. crítica textual

b. edição electrónica

c. estudos de caso

d. normas textuais para edições electrónicas

 

 


a. crítica textual

 

Greg, W.W. (1950-51): “The Rationale of Copy-Text”, in Studies in Bibliography, Volume 3, pp.19-36, <http://etext.virginia.edu/etcbin/toccer-sb?id=sibv003&images=bsuva/sb/images&data=/texts/english/bibliog/SB&tag=public&part=2&division=div> (acesso 12-05-2004)

Um dos textos mais importantes para compreender as teorias textuais modernas é o texto do crítico textual americano W.W. Greg, “The Rationale of Copy-Text” (originalmente publicado na revista Studies in Bibliography, em 1950). Nessa linha de pensamento podemos incluir também outros ensaios importantes, como os de Fredson Bowers (1905-1991), “Scholarship and Editing” (1976) [1], e de G. Thomas Tanselle, “Literary Editing” (1981). W.W. Greg pôs em causa a noção de um único texto autorizado, que orientara grande parte da crítica textual moderna até então. Ou seja, ainda que determinada edição tivesse sido revista pelo autor, poderia haver razões para optar por variantes provenientes de outras edições — quer no referente aos chamados “substantives” (palavras), quer no referente aos chamados “accidentals”  (pontuação, ortografia, uso de maiúsculas, etc.) — ou por correcções inferidas pelo editor [editor]  a partir da comparação de diferentes fontes documentais (edições, manuscritos, provas tipográficas, edições revistas pelo autor, etc.). Esta teoria é por vezes referida como a teoria ecléctica da edição, uma vez que admite o estabelecimento de um novo texto a partir da combinação de leituras e inferências fundamentadas em diferentes edições e não  num único “copy-text”. As decisões do editor [editor] têm portanto um papel importante na fixação do texto, embora Greg nunca ponha em causa a determinação da intenção do autor como critério orientador das decisões a tomar. Como refere Tanselle, “Greg’s point is simply that one should not  be deterred, by whatever authority attached to the copy-text, from altering it when one is convinced (through critical insight, in the light of all available evidence) that another reading is, or comes nearer to, what the author intended” (Tanselle 1990: 301).

Gaskell, Philip (1995): A New Introduction to Bibliography, Winchester: St. Paul’s Bibliographies, [1972, 1974].

Esta obra é uma introdução técnica à bibliografia descritiva. Em alguns capítulos é possível encontrar referências à história da crítica textual e resumos dos princípios de descrição bibliográfica, que permitem perceber os problemas específicos que é necessário resolver para fundamentar as decisões textuais. Muitos dos problemas que se levantam quando se comparam diferentes edições tipográficas, por exemplo, requerem um conhecimento dos processos técnicos e sociais de produção dentro da tipografia.

Tanselle, G. Thomas (1990): “Classical, Biblical, and Medieval Textual Criticism and Modern Editing” [1983], in Textual Criticism and Scholarly Editing, Charlottesville: University Press of Virginia, pp. 274-321.

Neste artigo Tanselle resume as concepções textuais que definiram, respectivamente, o campo da crítica textual da era pré-tipográfica (dos estudos textuais clássicos, bíblicos e medievais) e o campo da crítica textual da era pós-tipográfica. Dedica também algumas páginas à teoria de W.W. Greg e ao problema da determinação da intenção autoral na fixação do texto e ao lugar relativo da intencionalidade autoral.

Tanselle, G. Thomas (1996): “Textual Instability and Editorial Idealism”, in Studies in Bibliography, Volume 49, pp. 1-60, <http://etext.virginia.edu/etcbin/toccer-sb?id=sibv049&images=bsuva/sb/images&data=/texts/english/bibliog/SB&tag=public&part=1&division=div> (acesso 12-05-2004)

Neste artigo Tanselle procura confrontar as concepções da crítica textual que acredita na possibilidade de fixação dos textos com as teorias literárias que acentuam a instabilidade textual como uma propriedade da condição textual.

McGann, Jerome (1991): “Texts and Textualities” and “Conclusion”, in The Textual Condition, Princeton, New Jersey: Princeton University Press, pp. 3-16, 177-186.

Nesta obra, McGann sintetizou algumas das ideias derivadas do seu trabalho com textos e edições do período Romântico (William Blake, Lord Byron) e Modernista (Ezra Pound), que o levaram a chamar a atenção para a inter-relação entre o código linguístico e o código bibliográfico nos processos de significação textual. Tal como Don McKenzie (1931-1999) ou Roger Chartier, McGann considera os textos como objectos socializados, quer na produção, quer na transmissão. Esta perspectiva pressupõe uma alternativa à crítica textual centrada nas intenções do autor e uma alternativa à teoria literária centrada na indeterminação gerada pelos actos de leitura.

Apesar de ter colocado o texto sob a alçada do leitor e ter acentuado a instabilidade e infinitude das redes de significantes que geram o sentido, a crítica pós-estruturalista e desconstrucionista (Roland Barthes, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Paul De Man, Stanley Fish) teria ignorado a instabilidade do próprio objecto material que o texto constitui. Para McGann, a variação é inerente à condição textual: “Variation, in other words, is the invariant rule of the textual condition. Intrepretive differentials (or the freedom of the reader) are not the origin or cause of the variation, they are only its most manifest set of symptoms” (McGann 1991: 185). A despeito da instabilidade do sentido e da instabilidade material dos próprios significantes, McGann chama a atenção para a possibilidade de conhecer de forma fenomenológica e histórica quer as materialidades específicas dos textos, quer as leituras dos textos.

Everest, Kelvin (2000): “Historical Reading and Editorial Practice”, in Joe Bray, Miriam Handley & Anne Henry (eds.), Ma(r)king the Text: The Presentation of Meaning on the Literary Page, Aldershot: Ashgate, pp. 193-200.

Kelvin Everest contesta a excessiva valorização da materialidade dos objectos textuais e dos seus contextos de origem, considerando que os textos têm uma identidade formal que é independente da reconstrução do contexto original. A posição de Everest põe em causa os projectos de edições electrónicas como as que têm sido produzidas por aquilo que ele designa como a “ala textual do materialismo cultural”. Everest considera que os projectos de edição que oferecem versões textuais múltiplas são demasiado complexos para os leitores e destinam-se apenas a especialistas. Segundo Everest, o editor deve continuar a assumir a responsabilidade de editar o texto (fazendo determinadas escolhas) e não refugiar-se na possibilidade de oferecer, por meio do hipertexto, um arquivo de textos concorrentes e de múltiplas variantes.

 

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b. edição electrónica

 

Abram, Kathryn (2002): “Electronic Textuality: A Bibliographic Essay”, in <http://www.mantex.co.uk/ou/resource/elec_txt.htm> (acesso 12-05-2004)

Este pequeno ensaio de Kathryn Abram é uma excelente apresentação de textos e problemas da textualidade electrónica na sua relação com a crítica textual de base bibliográfica. Pode servir de guião quer para uma aproximação aos principais autores nesta disciplina, quer aos autores que pensaram os problemas de crítica textual no domínio da edição digital. Abram refere algumas das ideias e artigos fundamentais no debate sobre a edição electrónica.

 

Sutherland, Kathryn, ed. (1997): Electronic Text: Investigations in Method and Theory, Oxford: Clarendon Press.

Lavagnino, John (1995): “Reading, Scholarship, and Hypertext Editions”, in TEXT: Transactions of the Society for Textual Scholarship 8 (The University of Michigan Press): 109-124. <http://www.stg.brown.edu/resources/stg/monographs/rshe.html>

Shillingsburg, Peter L. (1999): “Electronic Editions”, in Scholarly Editing in the Computer Age: Theory and Practice, Ann Arbor: University of Michigan Press [2ª ed. 1996], pp. 161-171.

McGann, Jerome (2001): “The Rationale of Hypertext” and “Visible and Invisible Books in N-Dimensional Space”, in Radiant Textuality: Literature after the World Wide Web. New York: Palgrave/St. Martin’s, pp. 53-74, 167-191. “The Rationale of Hypertext” also at <http://www2.iath.virginia.edu/public/jjm2f/rationale.html>

Eaves, Morris, Robert Essick, and Joseph Viscomi (2000): “The William Blake Archive: Editorial Principles: Methodology and Standards in the Blake Archive”, at <http://www.blakearchive.org/blake/public/about/principles/>

Neste conjunto de textos (Sutherland, Lavagnino, Shillingsburg, McGann, e Eaves) é possível encontrar alguns dos critérios e princípios que têm sido concebidos e postos em prática na preparação de textos para publicação electrónica. Um dos princípios frequentemente defendido é o de que as ferramentas de indexação e pesquisa são essenciais para potenciar uma utilização produtiva do hipertexto e das capacidades de armazenamento da informação em suporte digital. Outro dos princípios é o de que o meio electrónico permite criar arquivos suficientemente complexos e completos para incluírem várias edições de uma mesma obra e, não menos importante, para promoverem vários tipos de utilização — leitura, ensino/aprendizagem e investigação. O texto de Eaves reflecte precisamente este casamento da crítica textual e do meio electrónico que ocorreu no Arquivo Blake.

 

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c. estudos de caso

 

Journal of Electronic Publishing, <http://www.journalofelectronicpublishing.org/>

Uma boa fonte em linha para esta temática é o Journal of Electronic Publishing, publicado 3 a 4 vezes por ano pela Universidade de Michigan, entre 1995 e 2002. Nesta revista electrónica foram publicados artigos sobre os vários aspectos da publicação electrónica (questões jurídicas, acesso ao conhecimento, publicação científica, controle de qualidade das publicações electrónicas, estrutura económica e institucional, aprendizagem em ambiente electrónico, edição de textos literários, etc.). O JEP dispõe de um arquivo de todos os números publicados em acesso público. Depois de um período de três anos de interrupção, o JEP reapareceu em 2006, publicado pelo Scholarly Publishing Office (SPO), da University of Michigan University Library. Vejam-se, em particular, os seguintes textos, relacionados com alguns dos arquivos e edições que temos estado a conhecer:

Eaves, Morris (1997): “Behind the Scenes at the Blake Archive: Collaboration Takes More Than E-mail”, in Journal of Electronic Publishing, December 1997, Volume 3, Issue 2, <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;view=text;rgn=main;idno=3336451.0003.202> (acesso 12-05-2004)

Unsworth, John (1997): “Documenting the Reinvention of Text: The Importance of Failure”, in Journal of Electronic Publishing, December 1997, Volume 3, Issue 2,  <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;cc=jep;q1=3336451.0003.2*;rgn=main;view=text;idno=3336451.0003.201> (acesso 12-05-2004)

Stauffer, Andrew M. (1998): “Reprint: Tagging the Rossetti Archive: Methodologies and Praxis”, in Journal of Electronic Publishing, December 1998, Volume 4, Issue 2, <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;cc=jep;q1=3336451.0004.2*;rgn=main;view=text;idno=3336451.0004.209> (acesso 12-05-2004)

Martin, Julia & David Coleman (2002), “Change the Metaphor: The Archive as an Ecosystem”, in Journal of Electronic Publishing, April 2002, Volume 7, Issue 3, <http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/text-idx?c=jep;cc=jep;q1=3336451.0007.3*;rgn=main;view=text;idno=3336451.0007.301> (acesso 12-05-2004)

Kiernan, Kevin S. (1994): “Digital Preservation, Restoration, and Dissemination of Medieval Manuscripts”, <http://www.uky.edu/~kiernan/welcome/1993.htm> (acesso 27-08-2008)

Willett, Perry (1996): "The Victorian Women Writers Project: The Library as a Creator and Publisher of Electronic Texts.", in The Public-Access Computer Systems Review 7, no. 6 (1996) <http://info.lib.uh.edu/pr/v7/n6/will7n6.html> (acesso 12-05-2004)

Hockey, Susan (1997): Electronic Texts: The Promise and the Reality”, in American Council of Learned Societies Newsletter, Volume 4, Number 4, February 1997 <http://www.acls.org/n44hock.htm> (acesso 12-05-2004)

Crane, Gregory (1998): “The Perseus Project and Beyond: How Building a Digital Library Challenges the Humanities and Technology”, in D-Lib Magazine, January 1998, <http://www.dlib.org/dlib/january98/01crane.html> (acesso 12-05-2004)

 

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d. normas textuais para edições electrónicas

 

Shillingsburg, Peter (1993): “General Principles for Electronic Scholarly Editions”, <http://sunsite.berkeley.edu/MLA/principles.html> (acesso 12-05-2004)

Modern Language Association of America (Committee on Scholarly Editions) (2002): “Guidelines for Electronic Scholarly Editions”, <http://sunsite.berkeley.edu/MLA/guidelines.html> (acesso 12-05-2004)

Modern Language Association of America (Committee on Scholarly Editions) (2003): “Guidelines for Editors of Scholarly Editions with Guiding Questions for Vettors, a Glossary, and an Annotated Bibliography”, <http://jefferson.village.virginia.edu/~jmu2m/cse/CSEguidelines.html> (acesso 12-05-2004)

 

© Manuel Portela [Maio de 2004]

mportela@fl.uc.pt

 

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[1] Os artigos e ensaios de Fredson Bowers encontram-se reunidos nas obras Textual and Literary Criticism, Cambridge: Cambridge University Press, 1959, Bibliography and Textual Criticism, Oxford: Clarendon Press, 1964, e Essays in Bibliography, Text, and Editing, Charlottesville: University Press of Virginia, 1975.


 

 

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