DigLitWeb: Digital Literature Web

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Postcolonial Web Revisitada 

Sílvia Ferreira Brites


 

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1. Introdução à Literatura Pós-colonial

1.1. A Importância da Língua

2. Postcolonial Web: As Origens

3. Postcolonial Web: Estrutura e Conteúdo

4. Postcolonial Web: Apreciação Global

Anexo

Bibliografia e Webografia

 

 


1. Introdução à Literatura Pós-colonial

 

Segundo Ashcroft, Griffiths e Tiffin, a teoria Pós-colonial é a discussão de "migration, slavery, suppression, resistance, representation, difference, race, gender, place, and responses to the influential master discourses of imperial Europe... and the fundamental experiences of speaking and writing by which all these come into being" [1] (citado por Washburn “Post-Colonialism: Trying to Regain Ethnic Individuality”). Ou seja, aquilo a que eles se referem é ao estudo e à discussão da influência que o colonialismo teve em certas regiões. A teoria pós-colonial é relativamente recente pois, como em tudo na História, é necessário passar algum tempo sobre um acontecimento para que a sua abordagem seja mais fiel e imparcial.

Há quem defenda a tese que depois do colonialismo quase sempre surgem formas ditatoriais de governar um país. Desta forma, o povo continua a ser subjugado e condenado a viver sob a égide de outros, que muitas vezes não são defensores dos valores e ideais de que a nação necessita. Passa então a haver um estado de confusão moral entre o povo que, muita vezes, leva a situações de comodismo popular. E este é um dos problemas relacionados com o pós-colonialismo – a atitude encontrada pelo povo é culpá-lo pelo estado actual do país. É então que alguns escritores aparecem e tomam uma atitude de missionários e interlocutores da razão, bem como de ‘agitadores sociais’, com a intenção de fazer acordar o povo para a realidade que os rodeia, tentando incutir-lhes forças e ideais para lutarem contra uma ordem estabelecida. Um exemplo desses ‘agitadores sociais’ é Chinua Achebe, que diz "you must develop the habit of skepticism, not swallow every piece of superstition you are told by witch doctors and professors... When you rid yourself of these things your potentiality for assisting and directing this nation will be quadrupled” [2] (citado por Washburn “Post-Colonialism: Trying to Regain Ethnic Individuality”)

É portanto neste sentido que alguns historiadores deste tema assumem a influência paradoxal do colonialismo. Este teve um efeito desestabilizador na sociedade. O processo que ao início relegou o mundo pós-colonial para a margem, agiu no sentido inverso, fazendo nascer autores de grande qualidade literária “Marginality thus became an unprecedented source of creative energy” [3] (Ashcroft, Griffith, Tiffin, “The Empire Writes Back: Theory and Practice in Post-Colonial Literatures”)

Um outro problema é mais sentido nos países e regiões africanos que possuem imensas tribos com diversas tradições e crenças. Com a influência dos países colonizadores e do mundo ocidental, a convivência com novas formas de pensar entrou em choque com as tradições existentes. Este facto confunde e atrasa o desenvolvimento de um povo e de uma nação.

São problemas como estes que afectam a identidade de uma nação. A teoria pós-colonial tenta perceber estes problemas. Os escritores pós-coloniais não só retratam a realidade pós-colonial como também a utilizam para acordar e despertar sentimentos de patriotismo, e fazem-no da melhor maneira que sabem – através da escrita.

Este carácter interventivo da literatura destes países é uma característica das literaturas pós-coloniais, como referem Ashcroft, Griffith e Tiffin “What each of these literatures has in common beyond their special and distinctive regional characteristics is that they emerged in their present form out of the experience of colonization and asserted themselves by foregrounding the tension with the imperial power, and by emphasizing their differences from the assumptions of the imperial centre. It is this which makes them distinctively post-colonial.” [4] (citado por Washburn “Post-Colonialism: Trying to Regain Ethnic Individuality”)

Estes autores referem ainda que o desenvolvimento da literatura pós-colonial passou por várias fases, todas elas ligadas à percepção gradual de que era preciso fazer a diferença do grande centro. De facto, a ligação quase obrigatória ao centro do poder colonial fazia com que os escritores coloniais escrevessem em inglês e não na sua língua materna, para além do facto de se restringirem mais, e até mesmo privilegiarem, o centro, e não tanto aspectos específicos da região, nomeadamente da província, que talvez reportassem melhor e mais fielmente a realidade do país.

Deste modo, com tantas especificidades próprias de países e regiões hoje pós-coloniais, não restam dúvidas que, tanto a sua cultura como a sua literatura, adquirem características bastante diversas das de, por exemplo, um país colonizador. Assim, o estudo dos países e regiões pós-coloniais torna-se premente para o entendimento de uma cultura diferente. Desta cultura não pode estar dissociada a literatura. Esta é sempre imprescindível para a caracterização da História de qualquer país pois, explicita- ou implicitamente, é detentora, ela própria, de História. Todas estas razões levam a que, hoje em dia, faça todo o sentido a existência de Estudos Pós-Coloniais.

 

1.1. A Importância da Língua

Durante o colonialismo a língua tornava-se o meio através do qual um sistema hierárquico de poder era perpetuado, e também a forma de estabelecer conceitos como ‘verdade’, ‘ordem’, e ‘realidade’ (Ashcroft, Griffith e Tiffin)

A língua inglesa é hoje ensinada a todos os níveis nas escolas dos países ex-colonizados. A questão primordial seria perguntar se haveria alguma outra língua forte e ‘imparcial’ o suficiente que conseguisse superar a língua inglesa. Este facto é mais flagrante se pensarmos no caso das ex-colónias Africanas. Nesta área há imensas línguas e dialectos que se confundem e se misturam em curtas distâncias.

Há também a referir que a maior existência e disponibilidade de materiais educativos em língua inglesa é, sem sombra de dúvidas, um factor de grande importância. [5] No entanto, e como referem Ashcroft, Griffith e Tiffin, o inglês traz benefícios económicos indiscutíveis nos negócios com o estrangeiro.

No que diz respeito aos escritores, alguns preferem adaptar algumas formas das línguas locais à língua inglesa, como se tentassem incluir palavras de origem indígena nesta língua. Outros preferem escrever na língua com a qual cresceram para só depois traduzirem os seus manuscritos para inglês. Este é o caso do conhecido escritor Wole Soyinka.

Ile o,
ile o
Ile o, ile o
Baba (Iya)
re'le re
Ile lo lo tarara
Baba re'le re
Ile lo lo, ko s'ine

Home, Home
The elder has gone home
The elder has gone home
Directly he is
Home bound, he will not miss his way. [6]

Partindo do princípio que uma língua não existe por si só, é representante de toda uma cultura que lhe é adjacente, existe uma dificuldade premente em tentar pôr no papel aspectos culturais, e até mesmo tradições orais, relativos a um povo numa língua que em nada se relaciona com essa mesma cultura de carácter mais ancestral. Contudo, a maior parte da literatura pós-colonial é escrita em língua inglesa.

Apesar de todos os problemas relacionados com a teoria pós-colonial e com a literatura pós-colonial, é indiscutível a sua importância para a cultura contemporânea. Segundo David Washburn “New doors have been opened with post-colonial literature, exposing a world previously ignorant of African traditions including storytelling” (Washburn “Post-Colonialism: Trying to Regain Ethnic Individuality”)

 

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2. Postcolonial Web: As Origens

 

Postcolonial Web (Fig 1)

http://www.postcolonialweb.org

A introdução à Literatura Pós-Colonial e a motivação para um estudo mais aprofundado da mesma são a base fundamental do sítio Postcolonial Web. É um sítio que está estruturado de modo a permitir ao utilizador um fácil acesso à informação acerca dos vários países e áreas fora da Grã-Bretanha, que têm presentemente bastante influência na literatura mundial. É um sítio dedicado à literatura em Língua Inglesa feita fora da Grã Bretanha.

O factor de maior relevo tanto na fundação e criação do sítio é ele ter sido iniciado em contexto académico. A sua criação deve-se ao carácter empreendedor do seu fundador, George Landow. Landow era professor de literatura na Universidade de Brown, quando decidiu, muito antes do aparecimento da World Wide Web e da generalização da Internet, fazer uma espécie de arquivo informático dos trabalhos realizados pelos seus alunos na disciplina de Survey of English literature from 1700 to the Present. Estes trabalhos serviam como contextualização para a disciplina e o objectivo primário de George Landow era que estivessem acessíveis não só aos alunos a frequentar as aulas na altura, mas também aos que posteriormente o viessem a fazer. A intenção não era apenas a de criar uma base de dados mas sim, recorrer ao hipertexto como mais valia na utilização desse mesmo arquivo. Os textos estariam interligados entre si, através de hiperligações, o que possibilitaria aos alunos uma pesquisa mais sistemática e mais rápida aos assuntos que mais lhes interessassem.

No seu texto “Reconfiguring Literary Education”, Landow explica “(...) a hypermedia corpus of multidisciplinary materials provides a far more efficient means of developing, preserving, and obtaining Access to course materials than has existed before.” (Landow 222) A ligação dos vários documentos entre si através do hipertexto permitiria aos alunos descobrir e perceber quais as relações existentes entre os diferentes conteúdos. Esta era aliás a principal ideia defendida por Landow - a utilização do hipertexto como meio de despoletar a associação natural de ideias.

...read-only hypermedia helped students acquire both information and habits of thinking critically in terms of multiple approaches or causes. These first two uses or results represent the effects of employing an information medium based on connections to help students develop the habit of making connections. (Landow 220)

Outro dos objectivos de George Landow aquando da criação deste arquivo informático com hiperligações, era que este estivesse acessível a todos os alunos da Universidade. Ou seja, o que ele pretendia era criar o que hoje chamamos de sítio, numa rede interna à Universidade. Conseguiu fazê-lo por volta de 1985, com o apoio de empresas como a IBM e a Apple Computers, utilizando para tal as linguagens de programação existentes na época. À medida que os anos iam passando e a tecnologia evoluía, Landow foi adaptando o seu ‘sítio’ às novas tecnologias. Com o aparecimento da World Wide Web e da Internet, Landow só teve de alterar e adaptar o seu ‘sítio’ à nova rede global. O tão precoce sítio de Literatura criado por Landow estava perfeitamente enquadrado nos objectivos da criação e utilização da WWW.

Assim, a Postcolonial Web nasceu em contexto académico, através de textos preparados por professores e alunos e para a utilização de todos. A inclusão de trabalhos de alunos é sempre um aspecto positivo na criação de um sistema hipermédia e, neste caso, de um sítio desta dimensão: "ever since students in the survey course began using the hypertext component, however, they have become collaborators, and their collaboration has proved increasingly important." (Landow 235)

No que diz respeito à motivação dos alunos, um sítio como o Postcolonial Web, e dado o seu carácter colaborativo, é também muito importante “(...) by encouraging the students to take a more active, collaborative approach to learning, it creates more materials for students to read” (Landow 234). Faz ainda com que eles se apercebam das relações existentes entre os vários textos “experiencing a text as part of a network of navigable relations provides a means of gaining quick and easy access to a far wider range of background and contextual materials.” (Landow 225) Apresenta-lhes também uma contextualização das matérias não só ao nível da literatura, como também ao nível da cultura disciplinar com eles relacionada. É um “means of quickly and easily learning the culture of a discipline” (Landow 226) e ainda “provides the student with an efficient means of learning the vocabulary, strategies, and other aspects of a discipline that constitute its particular culture.” (Landow 226). Landow reitera ainda a importância das contribuições dos alunos para um sistema hipermedia dizendo que

First, presented by means of printed technology, they seem separate, discrete documents created as student exercises that do not collaborate with anything else. But on a hypertext system, they are experienced differently because they link to other documents, which qualify and supplement them. Second, these student documents mingle with ones created by faculty members. They therefore represent a radical departure from current modes of learning and scholarship. (Landow 237) 

A importância da interdisciplinaridade é também um suporte teórico para a criação da Postcolonial Web:

Experience teaching with hypertext demonstrates that its intrinsic capacity to join varying materials creates a learning environment in which materials supporting separate courses exist in closer relationship to one another than is possible with conventional educational technology. As students read through materials for one English course, they encounter those supporting others and thereby perceive relationships among courses and disciplines. (Landow 226)

Todas as ideias defendidas por George Landow estão bem presentes neste sítio, quer pela sua estrutura, quer pelo seu conteúdo.

Uma característica importante deste sítio é o facto de contar com a colaboração não só de alunos como também de professores de vários graus académicos. São colocados em linha textos de alunos de licenciaturas, pós-graduações, mestrados e doutoramentos, bem como textos de pessoas que já têm esses graus. Este facto contribui para uma maior diversidade de temas e linguagens, acessíveis a um maior número de interessados. Este aliás é um dos princípios base da Postcolonial Web. Landow sempre defendeu esta diversidade de níveis em sistemas hipermédia:

Considered as an educational medium, hypertext also permits the student to encounter a range of materials that vary in terms of difficulty, because authors no longer have to pitch their materials to a single level of expertise and difficulty. Students, even novice students, who wish to explore individual topics in more depth therefore have the opportunity of following their curiosity and inclination as far as they wish. At the same time, more advanced students always have available more basic materials for easy review when necessary. (Landow 227)

Hypermedia linking, which integrates scholarship and teaching in one dicipline with others, also permits the faculty member to introduce beginners in the field to the way advanced students think and work, while it gives beginners access to materials at a variety of levels of difficulty. Such materials, which the instructor can make easily available to all or only advanced students, again permit a more efficient means than do textbooks of introducing students to the actual work of a discipline (Landow 224)

Neste campo do ensino / aprendizagem, a base da criação do sítio Postcolonial Web, Landow refere que a “presence of such materials permits faculty members to accomodate the slower and the faster or more commited learners in the same class.” (Landow 224) É, portanto, um factor de motivação para aqueles que procuram saber mais. Uma pessoa pode querer adquirir um maior conhecimento acerca das temáticas abordadas no sítio, começa com uma pesquisa no mesmo, avança para uma investigação mais aprofundada com base noutros meios e acaba por querer colocar o fruto do seu trabalho também em linha. Este contributo enriquece bastante o sítio, transformando-o num fórum de ensino e aprendizagem que transcende as paredes da sala de aula e da instituição originária.

Pode então dizer-se que este sítio está predominantemente orientado para a utilização académica, não apenas por ter sido criado nesse contexto, mas também pela sua estrutura e pelos seus conteúdos.

 

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3. Postcolonial Web: Estrutura e Conteúdo

 

Como já referi, a Postcolonial Web é um sítio que  tem como objectivo dar a conhecer a literatura e a cultura pós-colonial e pós-imperial de antigas colónias britânicas. Aliás, a próprio sítio está em grande parte dividido e organizado de acordo com essas categorias geográficas tradicionais, países e regiões que foram em tempos colónias do Império Britânico. Apesar de a tónica ser posta em redor da literatura pós-colonial, o sítio fornece bastante informação acerca da história, geografia e questões políticas relacionadas com essas regiões, que serve de enquadramento para um melhor entendimento das temáticas abordadas pela literatura existente.

Na página inicial deste sítio podemos encontrar um mapa do mundo que assinala os países e regiões tratados no sítio. Mostra ainda as seguintes secções: Africa; Australia; India; Singapore; New Zealand; Canada; Caribbean; United Kingdom; Ireland; Authors; History; Religion; PoCo Theory; Gender Matters; Diasporas; What’s new?; Credits; Bibliography; Related Courses; Want to Contribute to the PoCo Web; Search Tool.

Secção: Authors - uma listagem dos autores tratados no sítio, divididos por país / região. A informação é bastante actual e completa. O sítio apresenta um vasto número de escritores, relacionados com o seu país / região de origem, apresentando quase sempre uma ligação para uma página pessoal de cada autor, onde podemos encontrar informações várias acerca dos mesmos. Dados como a sua bio- e bibliografia, as suas relações literárias com o colonialismo, com aspectos políticos, religiosos, literários ou geográficos, relevantes para o seu processo de escrita. Estes aspectos nem sempre são todos referidos em todos os autores. Os autores mais (re)conhecidos possuem, obviamente, uma página pessoal na Postcolonial Web muito mais elaborada e preenchida. Em relação à presença das obras dos vários autores em linha, penso que não há nenhuma acessível. Este facto prende-se com o factor copyright. Tratando-se de um sítio que tem por objectivo a introdução e divulgação de autores do pós-colonialismo e pós-imperialismo, as obras destes mesmos autores encontram-se ainda protegidas pelas leis do copyright que proíbem a sua divulgação em linha, por serem textos bastante recentes. http://www.postcolonialweb.org/misc/authors.html

Secção: History - ligações a alguns artigos acerca do Império Britânico e da Commonwealth, bem como ligações às páginas de História dos vários países / regiões tratados neste sítio. http://www.postcolonialweb.org/misc/historyov.html

Secção: Religion - listagem de religiões contendo hiperligações para artigos sobre elas. Algumas das hiperligações que ali se encontram são para sítios fora da Postcolonial Web, como por exemplo a ligação de “Introduction to Islam”, que se encontra alojado em http://www.iad.org/books/intro.html Há ainda as ligações para a página acerca da religião referente a cada um dos países / regiões analisados neste sítio. http://www.postcolonialweb.org/misc/religionov.html

Secção: PoCo Theory - apresenta as teorias e as críticas sobre o colonialismo e o pós colonialismo, apresentando vários trabalhos e artigos referentes a estes temas. Está dividida nas seguintes subsecções:

Secção: Gender Matters - mostra e avalia a posição das mulheres e do  feminismo no colonialismo e pós-colonialismo. Está também dividida em várias subsecções, cada uma delas com hiperligações a artigos relacionados com os temas em causa. Alguns exemplos dessas subsecções são Feminist Theory, Literary Relations ou Imagery. Tem ainda ligações às secções Bibliography, PoCo Theory e Overview Screen. http://www.postcolonialweb.org/gender/genderov.html

Secção: Diasporas - pretende reorganizar as ligações a documentos enquanto introduz também novas categorias. Refere autores ligados a várias diásporas. Esta secção encontra-se dividida nas seguintes subsecções: Introduction; Authors; Theories of Diaspora; Postcolonial Theory; Political Contexts; Theme & Subject; Related Web Resources, Post Colonial Web Resources.http://www.postcolonialweb.org/diasporas/diasporaov.html

Secção:What’s New - uma listagem dos artigos mais recentes colocados em linha, com hiperligação aos mesmos. Está dividida de acordo com os meses e anos correspondentes. http://www.postcolonialweb.org/misc/whatsnew.html

Secção: Credits - de George Landow, onde ele explica quem e como criou este sítio, a origem dos artigos e dá orientações para quem quiser participar e contribuir para o Post Colonial Web. http://www.postcolonialweb.org/misc/credits.html

Secção: Bibliography - informação acerca da bibliografia utilizada nas várias secções deste sítio, estando organizada de forma a aceder à bibliografia de cada secção individualmente. http://www.postcolonialweb.org/misc/bibl.html

Secção: Related Courses - informação acerca das universidades que leccionam cursos e seminários relacionados com esta temática. http://www.postcolonialweb.org/courses/related.html

Secção: Want to Contribute to the PoCo Web - destinada àquelas pessoas que querem contribuir com algum artigo para este sítio, contendo informação detalhada de como fazê-lo. http://www.postcolonialweb.org/misc/directions.html

Secção: Search Tool - um motor de busca interno, referente apenas aos materiais e artigos contidos no Post Colonial Web. Este instrumento facilita o trabalho para quem já souber o que pretende encontrar. http://www.postcolonialweb.org/search.html

Em relação às secções referentes aos países e regiões, estes dividem-se em várias subsecções. O problema é que muitas vezes a terminologia utilizada para uma região ou país não é idêntica à de outra(o), o que torna a navegação um pouco mais confusa para quem esteja a analisar o sítio de um modo mais geral. Estas diferenças de nomenclatura devem-se ao facto de cada item ter sido, provavelmente, organizado e orientado por pessoas diferentes. No caso deste sítio, o facto de haver estas oscilações prejudica a pesquisa. (ver anexo)

Quanto ao conteúdo, e como se pode depreender pela estrutura acima exposta, este pode ser considerado como uma introdução e uma base para um estudo mais aprofundado das temáticas propostas.

O Postcolonial Web é sítio bem organizado, indexando e agrupando os artigos de forma clara nas secções e subsecções que com eles de relacionam. Possui um motor de busca interno, afecto ao próprio sítio, que facilita a procura de um artigo ou autor específicos.

O sítio Postcolonial Web apresenta-se como contendo um conjunto importante de informação acerca não apenas da Grã-Bretanha, mas dos países que estiveram directamente relacionados com a descolonização e com os efeitos da mesma. Como já referi, apresenta documentos e informação relacionada não só com a literatura da época, como também, com aspectos do próprio país / região que ajudam a um melhor entendimento do contexto.

É um sítio muito abrangente, que faz referência a vários autores e temas da literatura pós-colonial e pós-imperial. Não sendo um sítio unicamente orientado para estudantes, é sem dúvida um projecto que interessa particularmente àqueles que pretendem fazer uma pesquisa no campo específico da literatura pós-colonial em inglês e de aspectos das culturas locais.

 

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4. Postcolonial Web: Apreciação Global

 

Quanto à avaliação global do sítio, penso que o saldo é positivo. Aliás, não poderia ser de outra maneira, uma vez que o seu fundador e criador é George Landow, um dos pioneiros da teoria hipertextual e da aplicação do hipertexto ao ensino. Sendo que os objectivos principais deste sítio eram a criação de um sistema hipermedia que ligasse vários tipos de informação entre si através do hipertexto, a criação de um sistema de associação que facilitasse quem quisesse saber mais acerca de, neste caso, literatura pós-colonial, a possibilidade desse sítio poder alojar textos de vários níveis de dificuldade e que este pudesse ter uma actualização permanente com textos fornecidos por qualquer pessoa minimamente interessada e capaz de contribuir com trabalho próprio, então, estes objectivos foram conseguidos.

Como referi ao longo do trabalho, este sítio contém bastante informação, variada com diversos níveis de dificuldade e, portanto, acessível a um maior número de interessados. A navegação não é difícil e os meios de pesquisa interna funcionam. Se imaginarmos que uma pessoa sem qualquer conhecimento acerca do pós-colonialismo inglês se depara com o sítio e, sendo curioso o suficiente, se aventura na navegação do mesmo à procura de saber mais, então penso que o resultado desse teste seria positivo. A Postcolonial Web consegue elucidar qualquer pessoa no pós-colonialismo, cumprindo, portanto, o seu objectivo primeiro. É por isso que, desta forma, e de modo geral, a avaliação é positiva.

Os problemas chegam ao analisarmos mais de perto o funcionamento e a organização da Postcolonial Web. Um dos primeiros problemas com que nos deparamos é o facto de para diferentes secções, haver diferentes nomenclaturas. Este facto prejudica a navegação no sítio. Este problema advém do facto de, provavelmente, existirem vários coordenadores deste sítio, isto é, não há um organizador geral do sítio. Se tal acontecesse, cada secção estaria dividida nas mesmas categorias, facilitando a navegação do utilizador. Como tal não acontece, e dada a incoerência no tratamento dos nomes, muitas vezes deparamo-nos com nomes diferentes para a mesma subsecção, tornando a utilização do sítio algo confusa.

Na verdade, a falta de homogeneidade não está patente apenas na terminologia usada nas várias secções. Esta é notada também, e como já referi, nas diferenças de qualidade textual de um tema quando comparado com outro, ou até mesmo entre um autor e outro. Os critérios de qualidade parecem ser díspares quando comparamos um tema e outro, ou um texto e outro. Há, portanto, oscilações na qualidade dos vários textos. Estas disparidades acontecem devido ao carácter aberto do sítio. Uma vez que qualquer pessoa pode contribuir com textos para o Postcolonial Web, o controlo da qualidade textual teria de ser apertado. As colaborações são fruto de uma análise textual e contextual por parte de Landow, para que os artigos em linha sejam detentores de uma certa qualidade, desejável a todos os utilizadores do sítio. No entanto, não deve ser apenas ele o detentor do cargo. Teremos então de nos perguntar quais os critérios de selecção dos textos colocados em linha e quais as especificidades do ‘barómetro’ de qualidade. Partindo do princípio que os textos colocados em linha são realmente de qualidade (até por que, apesar de tudo, não devemos duvidar das capacidades de George Landow) a diferença ao nível dos conteúdos é também flagrante.

Deste aspecto já falei anteriormente, não é obra do acaso ou desleixo, tem bases teóricas importantes, sendo, por isso, acessível a vários tipos de pessoas, desde aqueles utilizadores que estão num nível de aprendizagem ou investigação mais baixo, àqueles que se encontram à procura de informação mais aprofundada. Esta porém, pode até encontrar-se no sítio, embora talvez não esteja tão adequada aos interesses de um investigador mais maduro na temática. A questão da qualidade depende, obviamente, do tema em questão. Uma outra justificação plausível é o facto de um autor ou um tema mais conhecido atraírem sempre mais curiosos e estudiosos que outro menos conhecido. No caso de Wole Soyinka, escritor Nigeriano vencedor do Prémio Nobel da literatura em 1986, há imensos artigos e hiperligações activas. Os interessados neste escritor são bem mais do que no caso de, por exemplo, Zakes Mda, que nem sequer teve ainda direito a página pessoal neste sítio.

Uma mais valia para este sítio é a colaboração dos próprios autores que são foco de estudo na Postcolonial Web. Estes colaboram com diversos textos acerca dos vários assuntos tratados. Esta contribuição aproxima os utilizadores do sítio interessados na pesquisa e os próprios autores. É também um factor importante para a valorização do sítio como possuidor de textos fiáveis e credíveis.

Contudo, os desequilíbrios tanto a nível estrutural, como ao nível dos conteúdos acontecem, como já referi, devido ao carácter aberto deste sítio. Um projecto tão ambicioso como a Postcolonial Web, tão abrangente e com objectivos e intenções com ‘esperança média de vida’ prolongada, exigem um nível de controlo por parte da sua equipa de manutenção bastante elevado. Teria de haver uma actualização permanente não só ao nível da inclusão de novos materiais e suas hiperligações, mas muitas vezes seria também necessário alterar e/ou remodelar aspectos estruturais para haver maior coerência na generalidade do sítio.

Ainda analisando o sítio, e tendo em conta que este pretende apresentar a literatura pós-colonial e imperial, há que reconhecer que a contextualização dos países e áreas tratados está bastante completa, referindo aspectos culturais, políticos e religiosos entre outros. No entanto, há um aspecto que talvez tenha ficado um pouco esquecido. Afinal, estas áreas de influência britânica, são áreas em que por essa mesma razão se fala a língua inglesa, como por exemplo a Austrália e o Canadá. Contudo, há zonas, como as áreas africanas, por exemplo, onde uma das línguas oficiais pode ser o inglês, mas onde a população local utiliza outras línguas nativas ou dialectos. Parece-me óbvio que os escritores relacionados com essas áreas tenham sofrido influências também dessas línguas, provavelmente até aprenderam primeiro a língua nativa e não o inglês propriamente dito. Logo, nas suas obras, essas influências linguísticas poderão estar patentes. Não há nenhuma secção, como há para a história ou para a religião, directamente ligada à língua desse país / região, o que, na minha opinião é uma falha, uma vez que a língua também é uma componente essencial da cultura e um aspecto bastante marcante na vida de qualquer escritor. Neste sítio apenas encontramos uma referência à língua inglesa e à sua utilização por escritores pós-coloniais na secção ‘PostColonial Theory’. Dessa abordagem já falei na primeira parte deste trabalho. Seria talvez importante a inclusão de um capítulo acerca deste tema para cada país / região referenciado no sítio, uma vez que a problemática da utilização da língua inglesa é uma que varia não apenas consoante o país/ região, como até de autor para autor. Deste modo, poderia até justificar-se a inclusão de uma subsecção ou uma hiperligação para uma página somente acerca da utilização da língua referente a cada autor.

Quanto à utilização do sítio Postcolonial Web em contexto de ensino / aprendizagem se torna evidente se pensarmos que este teria a função de instrumento de pesquisa. Não restam dúvidas do carácter informativo e abrangente deste sítio, podendo, por isso, servir como ponto de partida para um estudo mais aprofundado da temática pós-colonial, como, aliás, já referi anteriormente. Para além de instrumento de pesquisa este sítio preenche todos os requisitos (os quais fui referindo ao longo da primeira parte deste trabalho) da teoria educativa literária defendidos por George Landow, de que são exemplos a participação activa e colaborativa dos próprios alunos na construção e diversificação do sítio, o seu carácter motivador e o seu contributo para uma aprendizagem associativa e crítica do pós-colonialismo.

Este sítio seria importante como um instrumento de utilização em casa, onde o aluno teria sempre à disposição artigos de um nível mais básico para esclarecimento de algumas dúvidas que pudessem surgir, bem como artigos de maior profundidade em caso de este querer investigar e aprender mais. Em contexto de sala de aula poder-se-ia utilizar, por exemplo o mapa político existente na página de abertura do sítio, para uma melhor visualização do mundo pós-colonial.

De qualquer forma, a importância de um sítio desta envergadura para o ensino/aprendizagem está patente no texto ‘Reconfiguring Literary Education’, no qual George Landow atesta:

Such an enterprise, which encourages student participation, draws upon all the capacities of hypertext for team teaching, interdisciplinary approaches, and collaborative work and also inevitably redefines the educational process, particularly the process by which teaching materials, so called, develop. In particular, because hypertext corpora are inevitably open-ended, they are inevitably incomplete. They resist closure, which is one way of saying that they never die; and they also resist appearing to be authoritative: they can provide information beyond a student’s or teacher’s wildest expectations, yes, but they can never make that body of information appear to be the last and final word. (Landow 255)

 

Agosto de 2004

Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra

© Sílvia Brites, silvia_brites@sapo.pt

 

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Anexo

 

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Victorian Web

 

 

 

 

 

 

 

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Notas

[1] http://www.postcolonialweb.org/poldiscourse/washburn1.html

[2] http://www.postcolonialweb.org/poldiscourse/washburn1.html

[3] http://www.postcolonialweb.org/poldiscourse/ashcroft3g.html

[4] http://www.postcolonialweb.org/poldiscourse/washburn1.html

[5] Muitas vezes as variantes das línguas eram consideradas impuras e eram marginalizadas pelo sistema educativo. Há, aliás, distinções acentuadas entre o inglês padrão e muitas das variedades de inglês das antigas colónias, como é o caso do inglês da Jamaica

[6] http://www.postcolonialweb.org/poldiscourse/washburn1.html

[7] ou Political Context

[8] ou Literary Relations

[9] ou Science

[10] ou Theme & Subject

[11] ou Postimperial & Postcolonial Literature, ou PoCo Web, ou PoCo Overview Screen

 


Bibliografia e Webografia

ASHCROFT, Bill, GRIFFITHS, Gareth, TIFFIN, Helen, “The Empire Writes Back: Theory and Practice in Post-Colonial Literatures” in <http://www.postcolonialweb.org/poldiscourse/ashcroft3b.html> (acesso em Agosto de 2004)

LANDOW, George P. “Reconfiguring Literary Education”, in Hypertext 2.0: The Convergence of Contemporary Critical Theory and Technology, Baltimore: John Hopkins UP, 1997, pp. 219-255.

Post Colonial Web <http://www.postcolonialweb.org> (acesso em Agosto de 2004)

WASHBURN, David, “Post-Colonialism: Trying to Regain Ethnic Individuality” in <http://www.postcolonialweb.org/poldiscourse/washburn1.html> (acesso em Agosto de 2004)

 

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