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Apparatus criticus: digressões sobre o Victorian Women Writers Project

Tiago Jerónimo


 

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1. Introdução

2. Victorian Women Writers Project

3. Conclusão

Bibliografia

 


1. Introdução

 

Dissipado algum do deslumbramento que acompanhou a minha descoberta do VWWP, pude constatar que o arquivo constitui o exemplo perfeito do esforço inicial, levado a cabo por inúmeras instituições de ensino, para utilizar as ferramentas digitais no domínio das humanidades. Embora a concepção do projecto denote preocupações várias no que concerne à formatação e reprodução, é por demais evidente que determinados aspectos relativos à edição e a metodologia a adoptar, hoje centrais e óbvios, não foram contemplados.

As ferramentas digitais de que dispomos, actualmente, oferecem-nos a possibilidade de trabalhar com textos de formas antes apenas imagináveis. Se, ao nível da análise, mediante a aplicação de programas que funcionam com base na aleatoriedade, se abrem novos caminhos, também, no que diz respeito à edição, muitas das tarefas podem hoje ser realizadas em menor espaço de tempo e de forma muito mais eficaz.  

Contudo, a edição digital não deve ser encarada de forma displicente. De facto, pelas possibilidades que oferece, deve, muito pelo contrário, ser objecto de ponderação cuidada. Embora bastante disseminada, a mera representação electrónica de um texto não constitui uma prática editorial dotada de grande valor. Neste trabalho, procuro fornecer uma análise do arquivo electrónico Victorian Women Writers Project, abordando necessariamente as questões relativas à prática editorial, indissociáveis de um projecto desta natureza. 

Não posso, obviamente, considerar uma prática editorial melhor que outra, pelo que me escuso a estabelecer qualquer tipo de comparação. No entanto, perante as possibilidades oferecidas pelos arquivos digitais, considero que se impõe uma reconcepção das várias práticas editoriais.

 

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 2. Victorian Women Writers Project

 

Quando, em 1995, os primeiros textos em formato digital foram apresentados no Victorian Women Writers Project, os responsáveis estavam longe de imaginar a dimensão que o seu trabalho alcançaria. Porque a génese do projecto parece estar intimamente ligada às escolhas tomadas no que diz respeito à metodologia adoptada, convém, que num primeiro instante nos debrucemos sobre a história do arquivo. A concepção original tinha como objectivo fornecer um complemento ao The English Poetry full-text Database. Esta edição, baseada no New Cambridge Bibliography of English Literature, apresentava algumas lacunas visto não incluir autores e autoras que se encontravam fora do cânone mas mereciam cada vez mais atenção por parte de alguns currículos de literatura. Aquando da elaboração de uma lista de autores, que não constavam da edição e cuja obra poética se revelava importante, constataram que a maioria dos escritores eram mulheres. Assim, o arquivo dedicou-se exclusivamente à escrita produzida por mulheres no século XIX. Embora o primeiro objectivo fosse apresentar o maior número possível de obras poéticas em formato electrónico, cedo se deram conta que a produção literária das autoras desta época abrangia vários géneros. Deste modo, reconhecendo a importância e relevância dos géneros desenvolvidos, o arquivo alargou a sua abrangência, passando a incluir livros infantis, panfletos políticos, romances e outras formas de expressão.

A representação dos textos constitui um aspecto deveras importante pois a longevidade e possibilidade de utilização dos textos electrónicos depende, em grande medida, do formato adoptado. A criação de páginas com imagem requer pouco trabalho – é apenas necessário digitalizar o texto – mas levanta diversos problemas. O JPEG pode implicar a perda de dados e o TIFF funciona na Internet apenas com um programa específico, sem este o ficheiro é convertido para GIF ou JPEG. Embora a imagem detenha algumas vantagens não se presta, contudo, a utilizações importantes como a aplicação de programas de busca de palavras. Ao optar pela transcrição dos textos, o VWWP assegurou a facilidade de acesso e transmissão de textos electrónicos assim como a fiabilidade em relação ao texto original uma vez que a transcrição garante o rigor que se exige neste tipo de edição, tal é impossível de obter com o reconhecimento óptico de caracteres que muito raramente ultrapassa os 99,9% de exactidão, o que implica a existência de um erro a cada 10 linhas de texto.

Os programas de codificação específicos não se adequam aos objectivos de um arquivo electrónico no que concerne ao armazenamento e utilização dos textos uma vez que hardware, sistemas operativos e software evoluem rapidamente, tornando obsoletos os documentos produzidos nesse formato. Exemplo disto é o Multimate – os documentos criados com este programa já não podem ser utilizados uma vez que a empresa que desenvolveu o software já não existe. Um texto codificado recorrendo a um programa específico limita o acesso e transmissão aos detentores desse programa. Ao optar pelo SGML, em detrimento do ASCII e HTML, o VWWP garantiu a representação de uma multiplicidade de elementos, assim como a distinção entre aspectos tão diversos como título, palavras estrangeiras, palavras enfatizadas e didascálias. Se o utilizador desejar detectar todas as ocorrências de uma palavra num determinado poema, o motor de busca poderá estabelecer a distinção entre poema, estrofe, verso e informação intra e extra-textual. Com o ASCII é impossível ao software de busca determinar onde o poema começa e onde acaba; com o HTML não é possível mostrar todos os versos que contêm uma determinada palavra porque o sistema de codificação não delimita o início e o fim do verso. Além disso, a longevidade do arquivo foi assegurada pelo facto de os textos electrónicos poderem ser utilizados recorrendo a variados sistemas operativos e diferentes tipos de hardware. Os textos formatados com SGML podem ser facilmente convertidos para outros formatos, como o HTML. O VWWP desenvolveu um programa de conversão que permite manter a qualidade das representações 1. Por exemplo, no caso da poesia, o programa modifica o marcador </L>, que indica fim de linha, para <BR> no formato HTML, razão pela qual o software de busca consegue distinguir versos, mesmo quando o texto é apresentado neste formato.

Numa primeira análise, poderíamos considerar que o arquivo electrónico conseguiu alcançar alguns dos objectivos essenciais que devem nortear o desenvolvimento deste tipo de projecto. O VWWP não só inclui um vasto número de textos que podem ser consultados, submetidos a software de busca e até manipulados de diversas formas, como fornece acesso directo a diversos tipos de materiais que eram, até à data da sua inclusão no arquivo, muito difíceis de encontrar. Há muito poucas versões destas obras impressas em livro e as editoras não demonstram qualquer interesse em fazer reedições. A maioria das obras incluídas no arquivo são raras – Só metade dos 50 títulos inicialmente propostos se encontravam disponíveis na Universidade de Indiana – e, apesar de a maioria das escritoras ter sido bastante popular na época em que viveu, grande parte caiu no esquecimento. Assim, o VWWP desempenha um papel essencial na reconcepção dos cânones tradicionais que condenam à exclusão e ao silêncio obras de grande valor, que podem lançar novas luzes sobre a participação e papel da mulher na sociedade e cultura do século XIX.

Contudo, um projecto editorial não se esgota na transcrição e formatação. Os arquivos devem explicitar claramente os princípios de prática editorial que regem o seu trabalho e fornecer informação detalhada sobre a metodologia utilizada. O VWWP não expõe perante os utilizadores qualquer conjunto de princípios e refere apenas que o seu objectivo é fornecer transcrições rigorosas de textos em formato SGML 2 . Para um projecto que toma em mãos a recuperação da obra escrita de autoras do século XIX, isto fica aquém do desejável. As conclusões que posso retirar em matéria de prática editorial resultam da análise das Encoding Guidelines que foram fornecidas aos responsáveis pela formatação dos textos em SGML e são disponibilizadas para consulta aos utilizadores do arquivo 3.

É um dado assente que o código bibliográfico e o código linguístico são ambos mecanismos de significação. Cada um deles gera sentidos e se podemos dizer que o código bibliográfico funciona numa relação de subordinação relativamente ao código linguístico, devemos também afirmar que o sentido de uma determinada obra resulta da interacção entre estes dois mecanismos de significação. O código bibliográfico desempenha uma função de vital importância na análise de uma obra e as possibilidades de leitura alargam-se quando a materialidade da obra é respeitada, uma vez que o sentido é transmitido através dos códigos bibliográfico e linguístico. O VWWP parece ignorar isto e concentrar-se inteiramente nos aspectos de carácter linguístico. Como podemos perceber pelas indicações fornecidas nas Guidelines, os responsáveis pelo projecto tiveram grande cuidado e rigor no tratamento do texto, contudo, ignoraram as características bibliográficas e tipográficas. Se, por um lado, os erros existentes nos textos originais são contemplados na codificação – o erro, tal como se apresenta no texto, e a sua correcção ocorrem dentro do mesmo par de marcadores [1]– já no que diz respeito às ilustrações, foram incluídas apenas aquelas que os responsáveis pela formatação e o editor consideraram contribuir para o sentido do texto. Da mesma forma, não foi atribuída qualquer relevância às características tipográficas. Embora sejam fornecidas referências a determinados aspectos, que não foram contemplados na transcrição e codificação, a representação electrónica a que temos acesso encontra-se claramente desprovida de elementos vários que não podemos conhecer e cuja inclusão forneceria um valioso contributo para o conhecimento da obra.

McGann parece estar certo quando considera que qualquer edição é mais um acto de tradução do que de reprodução[2]. De facto, quando se realiza um trabalho de cariz editorial, verificam-se necessariamente alterações pelo que qualquer representação, ainda que possuindo qualidade, implica afastamento do original. Se podemos considerar que um novo texto, resultado do trabalho de um editor, é uma construção dotada de valor próprio e constitui uma nova etapa no processo contínuo de interacção entre autor, texto e colaboradores, devemos, contudo, mostrar as devidas reservas perante um projecto editorial que encara as obras de literatura como meros instrumentos de transmissão de informação cuja materialidade não desempenha uma função importante na construção do sentido. Os textos electrónicos do VWWP não são mais do que traduções dos níveis lexicais e gramaticais das obras originais. Tal seria uma prática aceitável se o arquivo disponibilizasse ficheiros de imagem dos textos originais, possibilitando a análise dos aspectos visuais e icónicos das obras. Não creio que a inclusão deste material exigisse mais do leitor já que este não teria que escolher entre um conjunto de variantes, pelo contrário, não só desenvolveria uma maior interacção entre o leitor e o texto, como libertaria o primeiro da influencia controladora do editor.

O VWWP possui severas limitações no que concerne à informação disponibilizada sobre as obras digitalizadas. Limita-se a apresentar o formato desenvolvido pelo TEI – um cabeçalho que contém informação sobre o texto de origem utilizado, as características que foram codificadas e as mudanças que o texto apresenta no formato digital 4. A vantagem da apresentação da meta-informação neste formato é que a informação fornecida também é codificada em SGML pelo que não só é processada pelo mesmo software como continua a fazer parte do ficheiro de texto aquando da transferência entre computadores.

Todavia, se o utilizador desejar saber mais acerca da obra que leu, da sua produção, da sua autora e do contexto social e cultural da época, não encontrará nada no arquivo. O contexto de produção da obra e o contexto de recepção devem ser identificados e são de suma importância – o contexto de produção é essencial para que possamos explicar a identidade formal do texto e o seu campo de referências. Os textos literários e os seus significados resultam de um processo de colaboração e as relações entre autor, editor e leitor são extremamente interactivas variando, obviamente, a interacção de situação para situação. Qualquer edição tem como função expor e clarificar as interacções existentes, razão pela qual os textos não podem ser encarados como meras transmissões de informação. Naturalmente a ênfase no contexto de origem de uma obra tem várias implicações – se queremos analisar a obra no âmbito da cultura em que foi produzida, isso implica a especificação da forma material da obra, que vai desde o layout na página até ao modo de publicação enquanto objecto físico, incluindo a produção do objecto e os materiais utilizados. Acresce a isto a contextualização cultural, o que inclui determinar a audiência a que se dirige, as reacções de quem leu a obra, o processo de publicação e o debate cultural gerado. Como refere McGann, o texto é afinal o local onde se cruzam redes complexas de interacção comunicativa e a primeira dessas interacções é revelada no período de produção inicial de um texto.

O VWWP falha claramente neste aspecto, mas não posso concordar com Kelvin Everest quando considera que um projecto editorial com esta ambição abraçou uma missão fútil. Se, de facto, a reconstituição do contexto é tarefa árdua e impossível de alcançar na sua totalidade – a concepção de um texto está envolvida por uma multiplicidade de circunstâncias e a sua publicação produz efeitos vários que nunca podem ser totalmente registados –, recusar liminarmente este objectivo é colocar em causa a escrita enquanto acto social e encará-la como acto ou sequência de actos isolados. A escrita é uma forma especial de comunicação humana e não pode ser levada a cabo sem interacções diversas com pessoas e audiências variadas. Ao dedicar-se à escrita de mulheres do século XIX, o VWWP não podia limitar-se a recuperar do silêncio e da ameaça de desintegração física as obras e escritoras que inclui no seu arquivo. Ao apresentar o texto desprovido de qualquer informação suplementar acerca da autora e do contexto de produção, a obra surge-nos como um artefacto recuperado de um tempo remoto. Conquanto não tenhamos já perante nós as páginas amarelecidas pelo tempo mas a materialização em pixeis, persiste a distância que se estabelece entre a obra resgatada do passado e quem com ela entra em contacto. Destituído de informação essencial para o seu entendimento, o texto adquire o carácter de objecto anacrónico, algo estranho e exótico – aquilo que Kelvin Everest vaticina a um projecto que inclua mais informação e material.

No que diz respeito ao copy-text, devo concordar com McGann quando este considera que “author’s intentions” parece constituir um conceito demasiado ambíguo e instável. Relativamente aos códigos bibliográficos, as intenções do autor muito raramente controlam a materialidade da obra e a sua transmissão. Neste aspecto, em particular, a obra é um acto de colaboração. O modelo de edição baseado nas intenções do autor pode ser questionado a vários níveis, uma vez que editores e outras pessoas intervêm na produção de uma obra literária – incidindo esta intervenção no código linguístico e, sobretudo no código bibliográfico (alterações feitas por editores, sugestões feitas por pessoas próximas do autor) – e parece deixar de fazer sentido quando estamos na presença de um texto que foi escrito por um determinado autor mas não foi acabado por si ou cuja publicação não foi autorizada. As intenções do autor nunca podem constituir o único critério  para estabelecer o copy-text.

Cada caso tem a sua especificidade. A fixação de um texto encontra-se em relação directa com o tamanho e complexidade do acervo de materiais existente. Quanto maior o acervo, maior a incerteza. No caso do VWWP, os textos utilizados como copy- text constituem por vezes os únicos exemplares e a não inclusão de outras variantes pode entender-se dada a raridade das obras e os objectivos que estão na base do arquivo – não se procura fornecer edições críticas das obras das autoras, mas disponibilizar os textos em formato electrónico. Contudo, não podemos esquecer que um arquivo electrónico fornece meios para incorporar todos os materiais relativos a uma determinada autora – desde variantes a artigos críticos – e permite acesso a esses materiais mediante formas que tornam visíveis as várias interacções que compõem as obras. 

 

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3. Conclusão

 

O cânone literário é, essencialmente, o resultado da tecnologia associada ao livro, das forças económicas que actuam sobre este e da opinião de um círculo restrito que inclui críticos influentes, professores e políticos com tempo de antena na televisão. Quando uma obra entra no cânone ganha, obviamente, certos privilégios: obter a entrada é alcançar mais do que renome e estatuto, é, acima de tudo, obter a possibilidade de ser lido. Entrar no cânone confere o privilégio de ser desfrutado, não entrar condena o autor/autora à permanência na prateleira dos não lidos, não conhecidos, não candidatos a prémios. Poucas mulheres alcançaram a inclusão, o que implica que as suas obras não são lidas e estão fora de interpretação e mesmo ligação com outras obras. O arquivo electrónico não é a panaceia que procuramos desalmadamente, mas ajuda a repor alguma justiça. Não obstante as suas limitações, o VWWP alcançou um dos objectivos maiores que estabelecera – recuperar do limbo dos não lidos, obras de grande valor.

Não posso fornecer mais do que hipóteses para o não prosseguimento do projecto e algumas parecem fazer mais sentido que outras. Pela sua natureza, o VWWP implicaria um trabalho que se estenderia ao longo de vários anos, mas isso não implica necessariamente que a tarefa a que se propunham não tivesse fim, estando portanto condenada ao fracasso. A reconcepção do nosso arquivo cultural, independentemente de quaisquer choques tecnológicos, não é tarefa simples, que se esgote em alguns meses ou alguns anos. O arquivo apresenta algo que teria sido impossível de obter em formato livro e garante acesso livre a todas as obras em formato digital. Actualmente, o arquivo digital já não é encarado como um formato inferior ao livro e a lógica de mercado imiscui-se rapidamente, impõem-se cada vez mais limitações no acesso ao conteúdo dos arquivos e o pagamento torna-se uma norma. Talvez isto explique as dificuldades com que nos deparamos, hoje, para aceder ao VWWP.

 

Julho de 2006

Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra

© Tiago Jerónimo, tcjeronimo@hotmail.com

 

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Notas

[1] “And if if you give it dinner, yet a full pack or two”

<L> And <CORR SIC= “if if” RESP= “FG”>if</CORR> you give it dinner, yet a further pack or two

[2] O autor desenvolve a ideia no seu ensaio "What Is Critical Editing?".

 


Bibliografia

Guidelines for Editors of Scholarly Editions, <http://jefferson.village.virginia.edu> (consulta 31-07-2006)

Hockney, Susan, "Electronic Texts: The Promise and the Reality" <http://www.acls.org/n44hoc.htm> (consulta 31-07-2006)

Landow, George, "Is this Hypertext any good? Evaluating Quality in Hypermedia" <http://www.brown.edu/Research/dichtung-digital/2004/3/Landow/index.htm> (consulta 31-07-2006)

McGann, Jerome, The Textual Condition, Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 1991.

Tanselle, Thomas G., "Textual Instability and Editorial Idealism" <http://etext.virginia.edu/etcbin/toccer> (consulta 31-07-2006)

Willett, Perry. "The Victorian Women Writers Project: The Library as a Creator and Publisher of Electronic Texts," Public-Access Computer Systems Review 7.6 (1996): 5-16 <http://info.lib.uh.edu/pr/v7/n6/will7n6.html> (consulta 31-07-2006)

Victorian Women Writers Project <http://www.indiana.edu/~letrs/vwwp/index.html> (consulta 31-07-2006)

 

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