A meio da vertente ocidental da cidade, sobre a muralha medieval, muito próximo da Torre de Anto (Torre do Prior do Ameal) e do Colégio dos Órfãos (colégio da Sapiência) assenta a Casa de Sub-Ripas. Situa-se a meio da rua com o mesmo nome, tendo sido contruída nos pardieiros do Lic.º João Vaz, no lanço de sobre-a-riba e incorporando a própria Torre, uma e outra adquiridas por contrato de doação, ao foreiro Bastião ou Sebastião Gonçalves.

A casa de Sub-Ripas constitui um bom exemplo da construção civil quinhentista da cidade, devendo datar-se da segunda década do séc. XVI (1514).

A construção fez-se aproveitando provavelmente edifícios ou paredes existentes, dispondo-se irregularmente por vários pisos numa superfície trapezoidal no sentido aproximado de nascente para poente. Divide-se em dois blocos: a chamada Casa de Cima ou do Arco, e a Casa de Baixo ou Casa da Torre. Os principais motivos artísticos da Casa de Baixo são a decoração naturalista, manuelina. A fachada principal é embelezada por um portal de pequenas dimensões mas envolvido por grande e elegante decoração naturalista traçada com verdadeira originalidade (torcidos, calabre com grossos nós, corrente com anéis decrescentes).

A rematar o portal encontra-se uma edícula em arco quebrado encenando uma cruz de galhos. Debaixo deste, um escudete com chagas.

Sobre a porta, janelas decoradas no mesmo estilo, embora diferentes entre si. As primeiras possuem uma graciosa moldura de arco canopial rematado em florão manuelino. As do último andar, um pouco mais tardias, têm uma decoração renascentista, com medalhões de ambos os lados.

Outro motivo de interesse, reside nos inúmeros baixos-relevos que ostenta nas paredes exteriores e que, pelo estilo e técnica, se podem atribuir à oficina de João de Ruão.


Fonte:
Casa de Sub-Ripas/Coimbra, Boletim da Dir. Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nº 131, Lisboa, 1990


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