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| Caixa onde se sorteavam
os temas para as dissertações
das Faculdades
Fotos: Delfim Ferreira,
1993 © SDP |
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Primitiva Arca-Cartório
para recolha de documentos da
Universidade de Coimbra
Fotos: Delfim Ferreira, 1993 © SDP |
Rua de S. Pedro, 2
3000-330 COIMBRA
Tel.: +351 239859855 / 239859800
Fax: +351 239820987
E-mail: auc@ci.uc.pt
URL: http://www.uc.pt/auc/
Horário de Funcionamento:
2.ª a 6.ª feira 9h - 12,30h e
14h - 17,30h
Director:
Prof.ª Doutora Maria José Azevedo Santos
Professor Catedrático da Faculdade de Letras
O Arquivo da Universidade de Coimbra é o depositário
da riquíssima documentação produzida e recebida
pela Universidade de Coimbra, criada por D. Dinis em 1 de Março
de 1290. Integra ainda os fundos documentais relativos ao Arquivo
Distrital, que tem a si agregado.
A documentação hoje custodiada
no Arquivo da Universidade reflecte a estrutura orgânica da
instituição de ensino, ao longo de séculos
da sua existência e os momentos históricos que em determinados
períodos de vida a marcaram, traduzindo a sua evolução,
a inserção na cidade de Coimbra e região e
uma vida que caminhava paralelamente à do país, no
seu conjunto. O documento mais antigo é o pergaminho da Colegiada
de Guimarães com data de 983 (Era de 1021).
Segundo o art.º 27 dos actuais Estatutos da Universidade de
Coimbra, homologados por Despacho Normativo n.º 79 de 28 de
Julho, o Arquivo da Universidade tem por missão fundamental
“a preservação, o enriquecimento e o tratamento
técnico do seu património bibliográfico e documental,
o apoio ao ensino e à investigação e o prosseguimento
de uma actividade cultural própria”.
O Arquivo é hoje o repositório
de vasta e rica documentação que permite analisar
em profundidade a história da Universidade, desde a sua fundação
em 1290 e, sobretudo, desde a sua fixação definitiva
em Coimbra em 1537. Assim, a extensão de atribuições
com que se vê dotado demarcam-no dos seus primórdios
de vida, quando no cartório universitário se guardavam
apenas os documentos importantes para a sobrevivência da escola.
As referências mais remotas sobre a sua
existência são feitas indirectamente em traslado da
Carta Régia de 17 de Novembro de 1525 sobre a eleição
do Reitor da Universidade, no final da qual o bedel João
Afonso diz: “Original jaz no ezcanino do cartorio do studo”.
Posteriormente a esta data são inúmeras as referências,
mas só iremos encontrar informações concretas
sobre a organização do cartório e documentos
que nele se deveriam guardar e a cargo de quem ficava, no cap. 58
dos Estatutos da Universidade de 1559.
O vasto património da Universidade –
a Fazenda da Universidade – só podia ser administrado
se a documentação que fizesse prova dos seus direitos
e regalias se conservasse devidamente, o que de facto se tentava
conseguir com a organização do cartório da
Fazenda. Este tornou-se distinto, depois da Reforma Pombalina da
Universidade em 1772, do Cartório da Secretaria onde se recolhiam
os volumes e documentos respeitantes ao ensino ministrado e à
frequência de alunos e professores. De ambos se serviu João
Pedro Ribeiro quando, na segunda metade do século XVIII,
os visitou, colhendo informações para coligir as suas
Observações Historicas e Criticas para servirem de
memoria ao sistema da Diplomatica Portugueza, que seria publicado
pela Academia Real das Ciências em 1798.
De cartório privado da instituição
tornar-se-á em 1848 Arquivo Público, pelo art.º
2 da Carta de Lei de 23 de Maio de 1848 que autoriza a venda em
hasta pública dos bens da Universidade, à data já
incorporados nos Bens Próprios Nacionais.
A documentação preservada deixava
de ter valor administrativo mas a sua importância histórica
justificava as medidas tendentes à sua boa conservação
e organização. Gabriel Pereira presidiu a essa ordenação
em 1880 e elaborou um relatório dos seus trabalhos publicado
em anexo ao seu Catálogo de Pergaminhos do Cartório
da Universidade de Coimbra.
Em 1901, pelo decreto n.º 4 de 12 de Junho,
o Arquivo passa a ser uma repartição autónoma
na Universidade. Nesse ano, é nomeado o seu primeiro Director
o Doutor António de Vasconcelos que já em 12 de Maio
de 1897 havia sido indicado para catalogar e organizar o cartório
universitário. Deve-se-lhe um importante estudo sobre a instituição:
o Archivo da Universidade, publicado no Anuário da Universidade
e reeditado pelo A. U. C. em 1991. Sobre a história
do A. U. C. pode ser lida além da ob. cit. de António
de Vasconcelos, o trabalho de Bandeira, José Ramos –
Universidade de Coimbra, vol. 2, Coimbra, 1947, p. 174-235.
O Decreto de 19 de Agosto de 1911, que aprova o regulamento das
Secretarias Gerais e Tesouraria das Universidades, refere textualmente
(cap. 1, 3.º – Do Arquivo, art.º 9): “Todos
os livros, documentos e processos que não foram necessários
para o serviço de expediente serão enviados para o
Arquivo, a fim de serem convenientemente catalogados e arquivados”,
e (art.º 11): “No Arquivo da Universidade de Coimbra
conservar-se-ão todos os livros de escrituração
antigos e todos os documentos, tanto em pergaminho como papel, que
se acharem na posse da mesma Universidade”.
Com a incorporação de documentos
provenientes de outras instituições o seu património
foi-se enriquecendo:
– em 1917 é feita a incorporação do Cartório
da Mitra e do Cabido da Sé de Coimbra e também da
Câmara Eclesiástica;
– em 1921 inicia-se a incorporação de livros
notariais de cartórios de Oliveira do Hospital e de Coimbra
e de livros paroquiais do distrito de Coimbra, até então
conservados no Seminário desta cidade.
O Arquivo Distrital de Coimbra, criado pelo
Decreto 19.952, de 20 de Julho de 1931, é-lhe anexado, formando
assim um Arquivo de características peculiares a nível
de todo o país, centralizando em si um valioso património
documental. Inicia-se então um período de incorporações:
– a do Arquivo dos Próprios Nacionais;
– em 1933, de Inventários Orfanológicos e outros
do distrito de Coimbra que, segundo o Estatuto Judiciário
seriam remetidos ao A. U. C.; são igualmente incorporados
processos das comarcas de Oliveira do Hospital, Coimbra, Lousã,
Figueira da Foz e Arouca. Ainda nesse ano se inicia a formação
de colecções particulares com espólios de João
Jardim de Vilhena e de Martinho da Fonseca;
– em 1934, o cartório dos Hospitais da Universidade
- com documentação que se reporta ainda ao extinto
Hospital de São Lázaro e Hospital Real de Coimbra;
– em 1944, a documentação do Governo Civil desde
1853 e parte da documentação do Comando de Polícia.
No ano de 1948, o Arquivo é transferido para novo local,
sendo então a única instituição do género
com instalações construídas de raiz para o
efeito. É servido por seis pisos para depósitos e
por quatro para o trabalho arquivístico e para o atendimento
ao público. Dispõe de Sala de Leitura, Sala de Catálogos,
Sala de Conferências / Exposições e Secretaria
para atendimento de buscas e de pedidos de certidões. Está
equipado com sistema de detecção de incêndios
e dispõe de desumidificadores.
Em 1957 e 1958 são oferecidos ao A.
U. C. documentos dos espólios de Rafael A. Monteiro e Fausto
de Quadros.
Com o Decreto Lei n.º 46.350, de 22 de Maio de 1965, o Arquivo
da Universidade passa a constituir um estabelecimento anexo à
Reitoria; e, pelo seu art.º 18, alínea b), fica legislada
a forma de nomeação do seu director, a escolher “de
entre três professores da Universidade indicados pelo Senado”,
o qual seria nomeado por períodos renováveis de cinco
anos.
Ao ser criado o IPPC, pelo Decreto Regulamentar 34/80, de 2 de Agosto,
na lista final anexa ao diploma relativa ao art.º 3.º,
n.º 17 do mesmo, é incluído o Arquivo da Universidade
entre as instituições sobre as quais o recente Instituto
deteria a tutela.
Com o Decreto Lei n.º 287/86, de 6 de
Setembro, passa a depender do Ministério da Educação
e Cultura, através da Direcção Geral do Ensino
Superior e da Universidade de Coimbra. O Senado da Universidade
aprovou em sessão plenária de 23 de Julho de 1997
o Regulamento do A.U.C., que foi publicado em D.R., n.º 237,
2.ª série, de 13 de Outubro de 1997.
Ao abrigo de um contrato-programa com a Reitoria
da Universidade, o A.U.C. tem em curso a modificação
estrutural do sistema informático – em que se enquadra
o projecto de digitalização de documentos históricos,
a constituição de bases de dados e a remodelação
da página Web – a ser desenvolvida pelo Instituto Pedro
Nunes.
ACTIVIDADE EDITORIAL
Foi Publicado:
SANTIAGO-OTERO, Horacio; REINHARDT, Klaus - La Biblia en la
península ibérica durante la edad media (siglos XII-XV)
: el texto y su interpretación. Coimbra, A.U.C., 2001.
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