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Timor - Resenha quinzenal

1 a 15 de Outubro de 1996

01 Out - JACARTA: O exército indonésio aproveita a comemoração da repressão da intentona golpista de 1965, atribuída ao Partido Comunista da Indonésia (PKI), para assegurar que o comunismo é uma ameaça real e não imaginária.

Em declarações ao "The Jakarta Post", o comandante-chefe das Forças Armadas Indonésias, general Feisal Tanjung, afirma que, "apesar de o PKI ter sido eliminado e proibido, a sua ideologia continua viva".

Para o general Feisal Tanjung, "o Partido Popular Democrático (PRD) é um exemplo de uma metamorfose do PKI".

O PRD, declarado ilegal, e o seu presidente, Budiman Sudjatmiko, 26 anos, foram acusados de incitar às revoltas populares de 27 de Julho, os mais violentos distúrbios ocorridos em Jacarta nas últimas duas décadas.

A Indonésia comemora em 1 de Outubro o dia da Santidade da Pancasila, que assinala a vitória do Estado frente à tentativa de golpe de 30 de Setembro de 1965.

De acordo com fontes históricas, a repressão militar sobre membros e simpatizantes do PKI causou cerca de um milhão de vítimas.


02 Out - JACARTA: O jornal "Suara Pembaruan" noticia que o Governador de Timor-Leste, Abílio Osório Soares, ameaçou os chefes de aldeia timorenses com a despromoção e o exílio "se as eleições gerais do próximo ano não correrem bem".

Segundo o jornal, Abílio Osório Soares, nomeado Governador de Timor-Leste por Jacarta, falava em Díli durante uma reunião dos 442 chefes de aldeia nomeados pela administração indonésia.

Os chefes de aldeia em Timor-Leste têm o estatuto de funcionários públicos e o Governador disse-lhes que se não estiveram à altura da situação podem ser demitidos ou transferidos para Irian Jaya, a região mais pobre e atrasada da Indonésia.

Abílio Osório Soares não explicou claramente o que pretende dos chefes de aldeia durante as próximas eleições, marcadas para Junho de 1997, mas observadores políticos não têm dúvidas de que se trata não só de assegurar a vitória do partido governamental Golkar, como ainda evitar que haja uma grande abstenção do eleitorado.


08 Out - PORTO: O FC Porto anuncia que recusou um convite para defrontar a selecção de futebol da Indonésia, em Jacarta, no âmbito de uma iniciativa promovida pela organização "Amizade Indonésia-Portugal".

"O FC Porto não pode aceitar jogos num país que mantém na prisão o paladino da liberdade do povo timorense, Xanana Gusmão, para além de continuar a oprimir arbitrariamente o quotidiano das gentes de Timor Leste", justifica o clube das Antas.

"Declinamos o convite na firme convicção de que o futuro próximo dará razão a causa timorense", refere em comunicado o presidente da direcção do FC Porto, Pinto da Costa.

O convite para o jogo foi enviado para Portugal por Wing Wiryanto, um jornalista do jornal indonésio "Jawa Pos Morning Daily", que trabalha em Itália e colabora com a federação de futebol do seu país.

À frente dos destinos da organização "Amizade Indonésia-Portugal" está Tutut Soeharto, filha do presidente da Indonésia.


09 Out - LISBOA: O arcebispo metropolitano de S. Paulo, cardeal Paulo Evaristo, anuncia ter enviado em 10 de Setembro uma mensagem ao ex-comandante da guerrilha timorense, Xanana Gusmão, detido em Jacarta, onde assegura que os brasileiros "não podem esquecer o povo irmão de Timor-Leste".

"A coragem e determinação do seu povo na luta pelas suas mais legítimas aspirações pela liberdade, independência nacional, paz e dignidade, constituem uma fonte de inspiração e admiração para todos nós e para todos aqueles que lutam pelos mesmos ideais", lê-se no texto enviado para a prisão de Cipinang, na Indonésia.

Na mensagem, o cardeal Paulo Evaristo recorda que o direito dos povos à autodeterminação está consignado nos convénios internacionais e que, no caso de Timor-Leste, "esse direito já está reconhecido nas várias resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU".

"Por isso mesmo, o Brasil tem que estar solidário com o povo timorense", afirma o cardeal brasileiro, que promete tudo fazer para que "a paz, a justiça, a liberdade e a dignidade sejam restauradas" ao "martirizado povo" de Timor-Leste.


10 Out - SIDNEY: Um organização australiana revela que 21 jovens timorenses foram condenados nas últimas semanas a penas de prisão que variam entre seis meses e quatro anos e meio pelo seu envolvimento nos confrontos de Junho em Baucau.

De acordo com o "East Timor Human Rights Centre" (ETHRC), os 21 jovens foram condenados por "violência contra pessoas e propriedade", de acordo com o Código Criminal indonésio, e pela "posse de uma arma afiada", de acordo com a Lei de Emergência de 1951.

Os 21 timorenses foram condenados pelo Tribunal Distrital de Baucau, tendo estado detidos à espera de julgamento desde os confrontos em 10 e 11 de Junho.

Segundo o ETHRC, continua ainda incerto o destino de 144 outros timorenses detidos após os confrontos de Baucau e sobre os quais não foram ainda reveladas quaisquer informações.


11 Out - OSLO: O Comité Nobel anuncia a atribuição do Nobel da Paz de 1996 a D. Carlos Ximenes Belo, administrador apostólico de Díli, e a José Ramos Horta, porta-voz da resistência timorense no exterior.

O prémio foi atribuído aos dois dirigentes timorenses pela sua contribuição para a resolução pacífica do conflito de Timor-Leste, território português anexado pela Indonésia, indica o Comité Nobel norueguês.

O comité Nobel cita D. Ximenes Belo, 47 anos, e Ramos Horta "pelo seu trabalho para uma solução justa e pacífica para o conflito de Timor-Leste".

D. Ximenes Belo "tem sido o mais importante representante do povo de Timor-Leste", afirma o comité, adiantando que "Ramos Horta tem sido o principal porta-voz internacional pela causa de Timor-Leste desde a independência".

"Ao atribuirmos este prémio, esperamos contribuir para uma solução diplomática para o conflito", sublinha Francis Sejersted, presidente do Comité do Prémio Nobel da Paz.

O comité define os habitantes de Timor-Leste como "um povo pequeno, mas oprimido".

Os dois laureados partilharão um prémio de 7,4 milhões de coroas suecas (1,12 milhões de dólares).

O Prémio Nobel da Paz será entregue em 10 de Dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, em Oslo.


11 Out - LISBOA: O bispo D. Ximenes Belo afirma que o Nobel da Paz com que foi laureado não é apenas para si "mas para todo o povo de Timor-Leste".

"Este prémio é para todos aqueles que trabalham para a paz e a reconciliação, pela abertura e pela defesa dos Direitos Humanos", sublinha o bispo timorense, ao reagir à decisão do Comité Nobel.

Para monsenhor Ximenes Belo, o Nobel da Paz constitui uma "consciencialização a nível internacional" da causa timorense.

D. Ximenes Belo revela que soube que tinha recebido o Nobel da Paz quando estava a celebrar missa em Comoro, assinalando os 50 anos da presença da congregação dos Salesianos em Timor-Leste.

"A meio da missa entrou um irmão e entregou-me um papel, eu li-o. Pensei em Deus, rezei e continuei a missa", conta o prelado.

Interrogado sobre o que fará com a sua parte do dinheiro atribuído ao prémio, D. Ximenes Belo responde: "Vamos ver, temos o centro de comissão Justiça e Paz que ainda não tem um edifício, é preciso também um seminário maior, vamos ver".


11 Out - SIDNEY: O representante do Conselho Nacional da Resistência Maubere (CNRM), José Ramos Horta, afirma ter ficado "profundamente surpreendido" com a decisão de lhe ser conferido o Prémio Nobel da Paz conjuntamente com o bispo D. Ximenes Belo.

"Esta notícia chocou-me muito e eu não queria acreditar quando a ouvi", afirma Ramos Horta, que acrescenta: "Penso que é mais do que merecido pela parte do bispo Ximenes Belo, mas penso que deveria ter sido atribuído também a Xanana Gusmão, um herói que o merece muito mais do que qualquer um de nós".


11 Out - LISBOA: D. Ximenes Belo, laureado com o Prémio Nobel da Paz, é o mais conhecido defensor dos Direitos do Homem em Timor-Leste. Nasceu há 47 anos no concelho de Baucau e desde sempre a sua formação esteve a cargo dos Padres Salesianos.

Inicialmente um sacerdote quase desconhecido, o seu nome saltou para a ribalta internacional desde que o Papa o nomeou, em 1983, Administrador Apostólico da Diocese de Díli.

Mais tarde, em 1988, é elevado ao Episcopado com o título de Bispo de Lorium, mas continua à frente da Diocese de Díli em representação do Bispo titular, que é o próprio Papa.

Sensível ao sofrimento do povo timorense sob a ocupação indonésia, D. Ximenes não tem perdido, desde então, uma oportunidade para elevar a sua voz e denunciar o que se passa em Timor-Leste.

A primeira vez que publicamente se insurge contra a violação dos direitos humanos em Timor-Leste é a 13 de Outubro de 1983, em Díli, durante uma cerimónia de homenagem a Nossa Senhora de Fátima.

No ano seguinte, é convidado a assistir à Conferência Episcopal Indonésia, onde volta a abordar o problema das injustiças praticadas em Timor-Leste.

À medida que se intensifica a resistência política e militar dos timorenses à ocupação indonésia, regista-se uma adesão maciça do povo à Igreja Católica, que é vista como símbolo e garante da preservação da identidade cultural e religiosa timorense face à crescente invasão de imigrantes indonésios de religião muçulmana.

Em entrevista concedida em Lisboa, já este ano, D. Ximenes revelou que existem actualmente em Timor-Leste três vezes mais católicos praticantes do que existiam ao tempo da presença portuguesa.

O Bispo de Díli, como é habitualmente designado, apresenta-se como um elemento de conciliação entre as várias facções timorenses e como um defensor do diálogo, mas, ao mesmo tempo, não deixa de defender frequentemente a realização de um referendo para que o povo timorense possa livremente exercer o seu direito à autodeterminação.

D. Ximenes tem declarado que a Igreja está disposta a aceitar o resultado desse referendo, qualquer que ele seja, incluindo a independência ou a integração na Indonésia, desde que os timorenses possam livremente e sem coacções de espécie alguma manifestar a sua vontade.

No dia-a-dia em Timor-Leste, o bispo não se limita a condenar a violência praticada pelos indonésios, insurgindo-se igualmente contra a violência dos elementos mais radicais da resistência timorense, tendo chegado a sair à rua em Díli para apelar à calma, quando grupos de jovens começaram a atacar e a incendiar carros e lojas pertencentes a indonésios.

Baptizado com o nome de Carlos Filipe Ximenes Belo, o futuro Bispo começou por frequentar um colégio dos Salesianos em Timor-Leste, prosseguindo depois os estudos secundários em Portugal, nos colégios salesianos de Mogofores e Manique.

Bacharel de Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, prosseguiu em 1979 os seus estudos religiosos na Universidade Pontifícia Salesiana de Roma e veio a ser ordenado sacerdote a 26 de Julho de 1980, precisamente pelo seu antigo professor, o Bispo Auxiliar de Lisboa, D. José Policarpo.

Ao regressar a Timor, em 1981, D. Ximenes assume a direcção do Colégio Salesiano de Fatumaca, até ser escolhido por João Paulo II para Administrador Apostólico da Diocese de Díli, onde sucede a Monsenhor Martinho da Costa Lopes.

D. Ximenes é mencionado há alguns anos como candidato ao Prémio Nobel da Paz. Em 1994, obteve o apoio expresso da Assembleia da República Portuguesa à sua candidatura, mas declarou na altura que tal honraria o deixava "completamente indiferente".


11 Out - LISBOA: José Ramos Horta é a voz de Timor-Leste mais conhecida no exterior e um autêntico embaixador itinerante do território.

Porta-voz da Resistência, o "homem do laço" tem sabido explorar a sua figura mediática, conseguindo estar presente em todo o lado onde se realizem debates importantes sobre a questão timorense, seja em Nova Iorque ou em Genebra.

Nascido em Díli em 26 de Dezembro de 1949, herdou do avô, Arsénio José Filipe, sindicalista de Lisboa activo na oposição ao regime, o carácter de resistente político. Do pai, sargento da Marinha e um dos participantes na famosa Revolta do Tejo contra o salazarismo - que esteve na origem do seu envio para Timor -, recebeu idêntica "herança".

Foi jornalista em Timor até 1974, ano em que fundou a Associação Social Democrata Timorense (ASDT) que viria a transformar-se em FRETILIN.

Quando o partido declarou unilateralmente a independência do território, há 21 anos, foi nomeado ministro das Relações Externas e Informação do novo governo e escolhido para chefiar a delegação da FRETILIN nas Nações Unidas, em cujo Conselho de Segurança foi o diplomata mais novo a discursar.

Impedido de voltar a Timor-Leste após a invasão indonésia, fixou residência nos Estados Unidos, onde viveu até 1989. Actualmente reside em Sidney, na Austrália.

Representante especial do Conselho Nacional da Resistência Maubere (CNRM), Ramos Horta é também porta-voz do líder Xanana Gusmão, detido pelo regime indonésio desde 20 de Novembro de 1992.

Em 21 de Maio de 1993, Xanana foi condenado a prisão perpétua, pena que seria comutada a 20 anos em 12 de Agosto de 1993.

O reconhecimento do seu papel levou o actual líder da resistência, Konis Santana, sucessor de Ma'Huno, que por sua vez substituira Xanana Gusmão, a propor ao CNRM que o nomeasse para a sua "liderança máxima".

Ramos Horta rejeitou a proposta por considerar que a legitimidade da resistência timorense advém da luta armada que se trava no interior do território contra os soldados indonésios.

Nos últimos anos, Ramos Horta tem-se desdobrado em acções diplomáticas múltiplas a favor da autodeterminação de Timor-Leste, mantendo encontros considerados de alto nível nos Estados Unidos, em Portugal, que visita frequentemente, e noutros países da Europa.

Em 1994, Ramos Horta foi distinguido como activista Internacional do Ano pela Fundação Gleitsman, norte-americana, prémio anteriormente atribuído a Nelson Mandela.

O galardão, partilhado com os judeus Beate e Serge Klarsfeld, recebeu-o em Lisboa, no Espaço Timor, "em nome de Xanana Gusmão", das mãos do presidente da fundação, Alan Gleitsman, na presença de Durão Barroso e Jorge Sampaio.


11 Out - PORTO: O Presidente da República, Jorge Sampaio, garante que "Portugal e os portugueses nunca desistirão de lutar em defesa dos direitos da comunidade timorense".

Em conferência de imprensa, Jorge Sampaio considera que o Prémio Nobel da Paz atribuído a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta "é muito importante ao nível internacional, numa perspectiva de sensibilização da opinião publica no âmbito das conversações actualmente em curso".

Jorge Sampaio defende que a opinião publica "comanda o interesse das causas" e salienta que o drama do povo timorense é "uma causa internacional cuja visibilidade cresceu com a atribuição deste prémio".

Para o PR, D. Ximenes Belo é o "símbolo internacionalmente reconhecido da luta heróica do povo mártir de Timor-Leste pelos seus direitos inalienáveis" e Ramos Horta um "lutador incansável da causa timorense que levou a voz de um povo isolado e oprimido aos quatro cantos do mundo".

Jorge Sampaio considera ainda que a escolha do Comité Nobel "estimulará os esforços para encontrar uma solução diplomática para o conflito de Timor e o seu direito à autodeterminação".


11 Out - LISBOA: A Assembleia da República aprova, por unanimidade e aclamação, um voto de congratulação e reconhecimento pela atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta.

"A distinção agora conferida reveste os contornos de uma condenação dos governantes da Indonésia por um alto expoente da consciência universal, para além de um acto de justiça", lê-se no documento apresentado pelo Presidente da AR, Almeida Santos, e subscrito por deputados de todas as bancadas.

O documento considera que do Nobel deste ano "ressalta a implícita condenação da ocupação do território pelas forças da Indonésia, do genocídio continuado e da reiterada violação dos mais sagrados direitos humanos, perpetrados pelo invasor".

Antes da aprovação do voto, com todos os deputados a aplaudirem de pé, intervieram deputados de todas as bancadas para expressar a sua alegria pela atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e Ramos Horta.

Nuno Abecassis, presidente da Comissão de Acompanhamento da Situação em Timor-Leste e deputado do PP, manifestou a sua "enorme alegria" e considerou que "foi feita justiça a um povo com quem os portugueses conviveram durante tantos anos".

"Timor entra definitivamente no caminho da libertação. Que Deus faça com que essa hora chegue tão cedo quanto possível", acentuou o presidente da Comissão de Timor-Leste.

Carlos Encarnação, vice-presidente da bancada do PSD, considerou que a atribuição do Nobel tem um "significado preciso e especial", porque é "um grito de liberdade que é ouvido" e a prova de que "os Direitos Humanos não prescrevem".

Para o deputado do PSD, a distinção de D. Ximenes Belo e Ramos Horta representa o "reconhecimento de uma longa luta contra o esquecimento, o isolamento e o abandono da comunidade internacional".

Octávio Teixeira, líder parlamentar do PCP, congratulou-se com a atribuição do Nobel, que classificou de "homenagem ao povo de Timor" e de "estímulo à continuação da sua luta".

"Talvez a manobra da Indonésia de criar um veículo com o nome Timor possa virar-se contra ela própria", acentuou Octávio Teixeira, que defendeu "uma maior exigência de acção" para com o povo de Timor-Leste.

Jorge Lacão, líder da bancada do PS, disse tratar-se da "expressão de um testemunho internacional pela luta árdua e sacrificial do povo de Timor-Leste" e a "exaltação dos valores dos Direitos Humanos, da autodeterminação e do direito é independência de Timor-Leste".

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares interveio também para manifestar, em nome do Governo, a alegria pela atribuição do Nobel da Paz a Ximenes Belo e Ramos Horta.

António Costa recordou que é a primeira vez que um Prémio Nobel da Paz é atribuído a personalidades de Língua Portuguesa, o que considerou muito importante para Portugal.


11 Out - LISBOA: O Primeiro-Ministro, António Guterres, envia telegramas de felicitações a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta e, numa declaração à imprensa, afirma que o Nobel da Paz com que foram distinguidos é um estímulo para os que lutam pelos Direitos Humanos.

Na mensagem enviada ao bispo D. Ximenes Belo, António Guterres considera que o prémio é "o justo reconhecimento pelo seu empenhamento pessoal em defesa da liberdade e da democracia do Povo de Timor-Leste".

Mas o prémio é também "um forte encorajamento a todos aqueles que, em todo o Mundo, lutam pelo direito à autodeterminação do povo timorense e pelo fim de todas as violações dos Direitos Humanos".

Na mensagem para José Ramos Horta, dirigente do Conselho Nacional da Resistência Maubere, António Guterres regozija-se "com este reconhecimento publico internacional do esforço diplomático pela causa do povo timorense".

"Este prémio será seguramente um estímulo para todos aqueles que, pelo Mundo, mantêm viva a luta pelo reconhecimento do direito à autodeterminação, liberdade e democracia do Povo de Timor-Leste", acrescenta.

Na declaração à imprensa, António Guterres considera que a decisão do Comité Nobel constitui um motivo de "grande alegria para Timor-Leste e para Portugal".


11 Out - PONTA DELGADA: O ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, afirma que a escolha de D. Ximenes Belo e Ramos Horta para Prémio Nobel da Paz "projecta significativamente a causa de Timor".

Jaime Gama sublinha que a decisão do Comité Nobel "confirma a razão de ser do apoio que Portugal tem dado" à causa timorense.

A atribuição do Nobel constitui uma "justíssima homenagem à heroicidade do povo de Timor", sublinha Jaime Gama, para quem "D. Ximenes Belo tem sido um grande símbolo da resistência timorense e Ramos Horta é porta-voz internacional de notável capacidade".

Em comunicado divulgado posteriormente em Lisboa, o MNE considera que o Nobel da Paz atribuído a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta é uma importante contribuição para solucionar a questão de Timor-Leste.

"O governo português congratula-se vivamente por este merecido gesto de reconhecimento internacional que vem fazer justiça à heroicidade do povo de Timor-Leste e vem projectar significativamente a sua causa", lê-se no comunicado.

Para o MNE, o prémio representa "um importante estímulo para a obtenção de uma solução para a questão de Timor-Leste que respeite plenamente os legítimos direitos do seu povo".

Monsenhor D. Carlos Ximenes Belo, bispo de Lorium e administrador apostólico de Díli, vê "reconhecido o esforço abnegado e solitário que, à frente da Igreja Católica timorense (...), vem fazendo para minorar o sofrimento do seu povo e promover a paz e a justiça no território, de que era já um verdadeiro símbolo", destaca o comunicado do MNE.

Sobre José Ramos Horta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros realça o papel, no plano internacional e há mais de 20 anos, de "incansável porta-voz dos que lutam pelo reconhecimento dos direitos e liberdades fundamentais" do povo timorense e "em defesa da autodeterminação de Timor-Leste".


11 Out - LISBOA: Durão Barroso, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e actual presidente do gabinete de relações internacionais do PSD, considera que a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta é "inteiramente merecida".

Sublinhando que Xanana Gusmão, detido na Indonésia, também era merecedor do Nobel, Durão Barroso considera que a atribuição do Prémio "é um grande contributo para a causa de Timor-Leste pelo que de visibilidade internacional dá à questão".

Para Durão Barroso, D. Ximenes Belo merece inteiramente o prémio pela "sua presença constante ao lado de Timor-Leste" e Ramos Horta pela "hábil acção de promoção externa".


11 Out - GENEBRA: O ex-PR Mário Soares manifesta-se "satisfeitíssimo e radiante" pela atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta.

Mário Soares considera que o atribuição do prémio é "importantíssima" para a causa de Timor-Leste, "a causa de um povo que quer manter a sua identidade nacional, religiosa e linguística".

Mario Soares acrescenta que além dos dois premiados "muito justamente", não se pode esquecer uma figura "que está a sofrer na própria carne o facto de ter lutado pela independência e pela identidade do povo de Timor-Leste que é Xanana Gusmão".


11 Out - LISBOA: O representante da resistência timorense em Lisboa, Luís Cardoso, considera que a atribuição do Nobel da Paz a monsenhor Ximenes Belo e a Ramos Horta foi um "salto de mil anos para a causa timorense".

"A partir de agora nada será como dantes para a causa timorense", afirma o mesmo representante, manifestando-se convicto de que "o povo maubere vai conquistar a liberdade porque tanto tem lutado".

"É um prémio para todo o povo representado na vertente religiosa por Ximenes Belo e na vertente política por Ramos Horta", acrescenta.


11 Out - CIDADE DO VATICANO: O Vaticano manifesta-se satisfeito com a atribuição do Nobel da Paz ao bispo católico de Timor-Leste D. Ximenes Belo, que partilhou este ano o prémio com o representante da resistência timorense José Ramos Horta.

"Desejo exprimir a mais viva satisfação pela atribuição do Prémio Nobel da Paz a Monsenhor Ximenes Belo, enquanto homem da Igreja, em reconhecimento da sua actividade caracterizada pela incansável procura do diálogo inspirado sempre em soluções pacíficas", sublinha em comunicado um porta-voz da Santa Sé.

Meios eclesiásticos portugueses consideram que o prémio "poderá ser muito útil à acção deste membro da Igreja que se tornou um pouco no símbolo de um povo oprimido que continua a travar uma resistência não violenta, mas tenaz".

O padre Carlos Garulo, porta-voz dos Salesianos, ordem a que pertence Monsenhor Ximenes Belo, declara-se simultaneamente muito surpreendido e muito satisfeito.

"Monsenhor Ximenes Belo foi candidato ao prémio Nobel duas vezes. Já não acreditávamos. O prémio Nobel constituirá um apoio importante a um trabalho que a Igreja católica de Timor está a efectuar no seu conjunto com o seu bispo em defesa de uma minoria oprimida", acrescenta.


11 Out - OSLO: O comité Nobel da Paz denuncia duramente a opressão imposta pelas forças de ocupação indonésias em Timor-Leste.

"Em 1975, a Indonésia tomou o controlo de Timor-Leste e começou a oprimir sistematicamente a população", afirma o comité, adiantando que "nos anos que se seguiram foi estimado que um terço da população de Timor-Leste perdeu a vida, devido à fome, à doença, à guerra e ao terror".

"Ao atribuirmos este prémio, esperamos contribuir para uma solução diplomática para o conflito", declara Francis Sejersted, presidente do Comité Nobel para a Paz, realçando as "contribuições contínuas e plenas de abnegação a favor de um povo pequeno, mas oprimido", de D. Ximenes Belo e Ramos Horta.

A situação em Timor-Leste "estava prestes a transformar-se num conflito esquecido e quisemos contribuir para manter as acções" para uma solução pacífica, refere Sejersted em conferência de imprensa após o anúncio.

Segundo Sejersted, o comité estava consciente do risco de o prémio poder levar a Indonésia a desencadear uma campanha repressiva em Timor-Leste, "mas podemos também ver a possibilidade de encorajar uma solução pacífica".


11 Out - LISBOA: O ex-governador de Timor, brigadeiro Lemos Pires, considera que a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta é "emocionante" e "inesperada", mas "há muito desejada".

"A atribuição do Prémio representa uma muito mais valia de apreciação internacional sobre a situação em Timor-Leste, já que o poder relativo dos portugueses é muito baixo", afirma.

Para o antigo governador de Timor, a atribuição do Prémio marca um "passo novo" na luta política pelo problema de Timor-Leste, que vai "entusiasmar" e "desafiar" as diplomacias mundiais para a situação.


11 Out - LISBOA: O presidente da comissão parlamentar de acompanhamento da situação em Timor-Leste, Nuno Abecassis, afirma que a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta "significa que o Comité Nobel foi sensível à opinião pública mundial".

"Triunfou o direito do povo de Timor", afirma o deputado do PP, considerando este prémio "uma prova de que Timor-Leste vai ser livre".

"É também um prémio para Portugal, devido à acção persistente a favor dos direitos de Timor-Leste, por vezes isolado em relação aos seus parceiros tradicionais", considera ainda Nuno Abecassis.


11 Out- LISBOA: O vice-provincial da congregação dos Salesianos, à qual pertence D. Ximenes Belo, considera que a partir de agora "o mundo olhará mais atentamente" a causa do povo de Timor-Leste.

Para o padre Manuel Leal, a atribuição do prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo, representa "em primeiro lugar o reconhecimento pelo trabalho" que o administrador apostólico de Díli tem feito "a favor dos Direitos Humanos do seu povo".

Segundo o vice-provincial em Portugal dos Salesianos, o trabalho de D. Ximenes tem sido "sereno, mas ao mesmo tempo persistente", sendo agora reconhecido a nível mundial.

Apesar das dificuldades existentes em Timor-Leste, acrescenta, D. Ximenes Belo "tem sabido lutar ao lado das pessoas e denunciar as situações de injustiça, não só perante as autoridades militares e civis indonésias, mas perante a própria Conferência Episcopal da Indonésia".


11 Out - JACARTA: As autoridades da Indonésia manifestam a sua surpresa e consternação pela atribuição do Prémio Nobel da Paz ao bispo D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta.

"Estamos muito surpreendidos e lamentamos que uma instituição tão reputada possa galardoar uma pessoa como Ramos Horta, que está claramente envolvido na incitação e manipulação do povo de Timor-Leste para se separar da República unitária da Indonésia", afirma Ghaffar Fadyl, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indonésio.

O anúncio do Prémio Nobel da Paz surgiu quatro dias antes da planeada visita do presidente Suharto, da Indonésia, a Timor-Leste para inaugurar uma estátua de Jesus Cristo, numa tentativa de demonstrar a tolerância religiosa de Jacarta.


11 Out - LISBOA: O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), João Soares, manifesta a sua "grande felicidade" pela atribuição do prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e José Ramos Horta.

"É um momento muito importante para os timorenses, para todos os que acreditam nos valores da liberdade e da solidariedade e para os amigos dos timorenses em todo o mundo, especialmente em Portugal", refere João Soares.


11 Out - LISBOA: O ex-dirigente da resistência timorense Abílio Araújo, actualmente com ligações à Indonésia, considera que o Nobel da Paz deveria ter sido atribuído apenas ao bispo D. Ximenes Belo.

"Foi pouco acertada a decisão de dividir o prémio com Ramos Horta, o povo timorense já estava representado pelo Bispo Ximenes Belo, que é bastante conhecido no estrangeiro", afirma o antigo dirigente da Fretilin.

Para Abílio Araújo, "essa partilha acabou por diminuir o impacto da atribuição do prémio a D. Ximenes".


11 Out - SETÚBAL: O bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, considera um "terramoto" a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta.

"É um terramoto nas grandes instâncias do poder político internacional em que este Mundo se move. A paz constrói-se assim", afirma o bispo de Setúbal.

"Estou possuído de uma grande alegria, porque Ximenes Belo é um homem carregado com uma mensagem que tem a ver com o direito de um povo que tem sido espezinhado e torturado. É um homem carregado com uma grande mensagem pela Paz", sublinha.

Em relação a Ramos Horta, D. Manuel Martins afirma que se sente também com alegria, "sobretudo porque o Nobel teve em vista Timor-Leste como pano de fundo".


11 Out - LISBOA: O Partido Socialista regozija-se com a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, considerando que o galardão consagra em termos internacionais o direito do povo timorense à autodeterminação e à independência.

António Galamba, membro do secretariado nacional e porta-voz do PS, sublinha que, "simultaneamente, o Prémio é a condenação da vizinha Indonésia e da sua política permanente de violação dos Direitos do Homem".


11 Out - LISBOA: O líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta é uma "alegria nacional, que une todos os portugueses, todos os partidos políticos, perante um gesto que traduz o apoio da comunidade internacional à luta heróica do povo maubere".

"Para o PSD que, no Governo, como na oposição, lutou sempre pelo direito de Timor-Leste à autodeterminação, é uma alegria o Prémio Nobel da Paz, visto que reconhece o mérito de duas personalidades excepcionais, que têm dedicado toda a sua vida àquela luta", acrescenta Marcelo Rebelo de Sousa.


11 Out - LISBOA: O secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, afirma que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta é de "grande significado" para o reconhecimento da luta de Timor-Leste.

Para Carlos Carvalhas, é "absolutamente indispensável" que este "importante acontecimento" seja de imediato acompanhado por um "audacioso revigoramento" das iniciativas políticas e diplomáticas de Portugal, bem como todas as formas de solidariedade com o povo de Timor-Leste, com vista a "favorecer e impulsionar a grande causa do seu direito à autodeterminação e independência".


11 Out - LISBOA: O PP afirma que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta significa o "reconhecimento da comunidade internacional dos Direitos do Povo de Timor-Leste".

Em comunicado, o PP congratula-se com a atribuição do Prémio, acrescentando que "mais do que um acto de justiça", se trata do "reconhecimento da comunidade internacional dos direitos do povo de Timor Leste".

Para o líder do PP, Manuel Monteiro, a decisão do Comité Nobel significa que a comunidade internacional "reconhece que a Indonésia é uma potência agressora e reconhece que todos aqueles que têm estado ao lado da Indonésia, massacrando, torturando, matando o povo de Timor, merecem ser condenados".

"É um primeiro passo para que a autodeterminação e a liberdade do povo de Timor efectivamente possa ser alcançada", acrescenta.


11 Out - LISBOA: A União Geral dos Trabalhadores (UGT) congratula-se com a escolha do Comité Nobel para a Paz, considerando que "potencia a visibilidade da luta dos timorenses pelos direitos humanos e pela autodeterminação".

"Este Nobel da Paz, que condena a ditadura indonésia e coloca Timor-Leste na agenda internacional, reforça a esperança e a determinação dos timorenses, que tanto no interior como no exterior nunca esmoreceram", diz a UGT.


11 Out - LISBOA: A CGTP saúda "vivamente" a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta.

Em comunicado, a central sindical considera que a distinção "consagra internacionalmente a justeza da luta do povo maubere pelo direito à auto-determinação".


11 Out - OTAVA: O secretário de Estado das Comunidades, José Lello, considera que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta constitui "uma grande, grande derrota para a Indonésia" e "uma grande vitória diplomática".

"É, ao mesmo tempo, uma grande afirmação da política externa portuguesa na sua denúncia da situação iníqua em Timor", comenta José Lello.


11 Out - PORTO: O presidente da Associação de Defesa do Povo de Timor-Leste, Barbedo de Magalhães, considera que a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta "vai dar uma força muito grande ao povo de Timor e é uma vitória para o próprio Xanana Gusmão".

"O facto de Ramos Horta ser o responsável pessoal de Xanana Gusmão no exterior é significativo, apesar de o galardoado merecer por si próprio o Nobel pelo trabalho diplomático que tem desenvolvido em todo o mundo em defesa da justiça e da paz em Timor", afirma Barbedo de Magalhães.


11 Out - ROMA: O embaixador português junto da Santa Sé, António Pinto da França, congratula-se com a atribuição do Nobel da Paz a Monsenhor Ximenes Belo, considerando-a um "trunfo extraordinário para a causa de Timor-Leste".

"Conheço bem Monsenhor Ximenes Belo, sei que é uma pessoa que bem merece o prémio e penso que a Santa Sé se regozijará pelo facto, visto que o Nobel foi atribuído a um bispo", afirma.


11 Out - LISBOA: D. Duarte de Bragança defende que a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta deve ser aproveitada para a realização de um "grande debate internacional" sobre Timor-Leste.

Para o herdeiro da Coroa Portuguesa, a atribuição do Prémio é um gesto "justo e oportuno" que consagra não só os dois laureados, mas "todo um povo que anseia, sofre e luta há 20 anos pela Liberdade e direito à autodeterminação, face à ocupação militar indonésia e ao desconhecimento e indiferença da comunidade internacional".


11 Out - SIDNEY: A Austrália partilha do desejo do Bispo D. Ximenes Belo e de José Ramos Horta, laureados conjuntamente com o Prémio Nobel da Paz, de ver Timor-Leste em paz, garante um porta-voz do MNE australiano.

"A Austrália felicita os dois laureados com o Prémio Nobel da Paz e partilha do seu desejo de conseguir ver um Timor em paz," afirma o porta-voz de Alexander Downer.


11 Out - GENEBRA: O Secretário-Geral do Serviço Internacional para os Direitos do Homem, Adrien Zoeller, numa reacção à atribuição do Nobel da Paz, considera que a ONU deve agora compreender que as negociações sobre Timor-Leste devem incluir o fim da ocupação ilegal da Indonésia e evoluir no sentido da participação do povo timorense.

Adrien Zoeller sublinha também que o Nobel da Paz foi atribuído à "pessoa-chave do interior" de Timor-Leste e ao "único timorense no exterior que em 21 anos nunca mudou de posição".


11 Out - LISBOA: O presidente da União Democrática Timorense (UDT), João Carrascalão, manifesta-se "extremamente orgulhoso" pelo facto de "dois companheiros de luta" - o bispo D. Ximenes Belo e José Ramos Horta - terem recebido o Prémio Nobel da Paz.

"A resistência e toda a população de Timor-Leste irá beneficiar com esta atribuição", afirma João Carrascalão, considerando que a atribuição do Nobel aos "dois timorenses" constitui "um dos marcos mais importantes na luta" contra a ocupação indonésia da antiga colónia portuguesa.

Para Carrascalão, o galardão "pode significar uma viragem radical em relação à questão de Timor" no panorama internacional.

"A situação timorense deverá ter uma solução a breve trecho", prevê o presidente da UDT.


11 Out - LISBOA: Dezenas de timorenses residentes em Lisboa deslocam-se ao "Espaço Timor", em S. Bento, para festejar a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta.

Numa comemoração improvisada, jovens timorenses gritam vivas aos dois galardoados, a Xanana Gusmão, às organizações políticas timorenses e ao povo timorense e entoam, com emoção, o refrão "Nós só queremos a paz em Timor".

Antes de um brinde colectivo, com vinho do Porto, Luís Cardoso, representante do Conselho Nacional da Resistência Maubere, sublinha que D. Ximenes Belo e Ramos Horta representam todo o povo de Timor-Leste.

"Esta luta de 21 anos, com um percurso muito difícil, um percurso de morte" foi reconhecida como meritória pela comunidade internacional, considera Luís Cardoso, para quem D. Ximenes Belo é o representante da História timorense e da sua religiosidade e Ramos Horta o representante da guerrilha.


11 Out - COIMBRA: António Ramos, um dos nove timorenses matriculados na Universidade de Coimbra, afirma que a distinção de D. Ximenes Belo e Ramos Horta com o Nobel da Paz constitui "um passo para a libertação do povo de Timor".

Falando em nome dos seus compatriotas matriculados na UC, António Ramos afirma que a decisão do Comité Nobel significa uma "vitória do povo de Timor-Leste e do processo de autodeterminação" e uma "derrota para o regime de Suharto".


11 Out - COIMBRA: O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. João Alves, considera que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e Ramos Horta traduz o "reconhecimento público e inequívoco da justeza da causa" de Timor-Leste.

"Este gesto veio confirmar que vale a pena lutar pelo respeito da dignidade das pessoas e dos povos e pelos seus sagrados direitos", afirma D. João Alves.

Na opinião do bispo de Coimbra, "vale a pena ter esperança na vitória da justiça que assiste ao povo timorense, quando luta para que seja respeitado o seu inviolável direito a pronunciar-se livremente sobre o seu futuro".

"A Igreja alegra-se com o reconhecimento do valor do serviço desta causa pelo seu bispo D. Ximenes Belo", refere ainda D. João Alves, fazendo votos para "que Portugal revigore o seu combate, a todos os planos, a favor de Timor".


11 Out - CIDADE DO CABO: O arcebispo anglicano Desmond Tutu manifesta-se "emocionado" com a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, augurando que a distinção dará finalmente o "relevo justo" à causa do povo de Timor-Leste.

O prémio Nobel da Paz de 1984 sublinha que, no seu caso pessoal, a distinção serviu na altura de "aviso ao regime de apartheid" e de prenúncio da sua derrota.

"Estou certo de que a distinção servirá para retirar a luta do povo timorense de um lugar secundário nas prioridades internacionais e lhe fará sentir que não está só na defesa da sua causa", sublinha Desmond Tutu, acrescentando que ele próprio já propusera em 1995 o nome do Administrador Apostólico de Díli para Nobel da Paz.


11 Out - GENEBRA: O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem, José Ayala Lasso, anuncia ter enviado telegramas de felicitações a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta por terem sido distinguidos com o Prémio Nobel da Paz.

José Ayala Lasso, responsável pelas negociações entre Portugal e a Indonésia sobre a questão timorense, considera que a atribuição do Prémio é o "reconhecimento do importante trabalho desenvolvido no campo da protecção e defesa dos Direitos do Homem em Timor-Leste".


11 Out - MAPUTO: O secretário para as Relações Externas da Fretilin, Mari Alkatiri, considera que a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta constitui uma "agradável surpresa" e "um recado sério" para a Indonésia.

Para Mari Alkatiri, o significado da atribuição do Nobel ultrapassa Timor, sendo também um prémio para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Com o prémio, o Comité Nobel "acabou por reconhecer a própria resistência, não só na sua vertente religiosa e cultural, mas também na política, e, porque não, a resistência armada", acrescenta.


11 Out - MACAU: Mais de 50 de timorenses radicados em Macau concentram-se no Largo do Senado para celebrar a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta.

Exibindo um cartaz com a frase "Timor-Leste, autodeterminação, independência", os timorenses saúdam a decisão do Comité Nobel e gritam palavras de ordem, em português e tétum, a favor de Timor-Leste.


11 Out - OSLO: O MNE norueguês, Bjoern Tore Godal, anuncia que o Governo da Noruega "propôs os seus serviços para acolher eventuais encontros" entre timorenses e indonésios sob a égide da ONU.

Por sua vez, a Primeira-Ministra norueguesa, Gro Harlem Brundtland, manifesta, em comunicado, o "desejo" de que a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta favoreça "os esforços" do Secretário-Geral da ONU, Boutros-Ghali, visando "empreender uma mediação entre a Indonésia e Portugal".

D. Ximenes Belo e Ramos Horta "contribuíram de forma importante para o trabalho visando uma solução pacífica do conflito" em Timor, indica o comunicado da Primeira-Ministra.

"Aquando das minhas entrevistas (em 1995, em Jacarta) com dirigentes indonésios, apercebi-me que os laureados beneficiavam de algum respeito no seio do Governo indonésio", acrescenta o comunicado de Gro Harlem Brundtland.


11 Out - COIMBRA: O Reitor da Universidade de Coimbra, Rui Alarcão, afirma que aquela instituição recebeu com "profunda emoção e alegria" a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, pelo seu papel na defesa da causa timorense.

"Além de um acto de justiça, constitui um estímulo, que considero politicamente da maior importância, para o relançamento da causa timorense no mundo", declara Rui Alarcão.

Sublinhando que os dois laureados são "eminentes vultos da luta pelos direitos humanos e pela autodeterminação e independência de Timor-Leste", Rui Alarcão recorda que a Universidade de Coimbra tem participado em diversos actos a favor da causa timorense, isoladamente ou com outras universidades portuguesas e estrangeiras.

Estudantes timorenses recebidos na Universidade têm beneficiado de "especiais apoios" e Xanana Gusmão é aluno extraordinário da Faculdade de Direito de Coimbra.

Para Joaquim Ramos de Carvalho, responsável pela base de dados da Universidade sobre Timor-Leste na Internet (TimorNet), a atribuição do galardão é um acto de justiça pelo trabalho e luta de Belo e Horta.


11 Out - BRUXELAS: O comissário europeu João de Deus Pinheiro considera que a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta veio distinguir a "perseverança" do povo de Timor-Leste.

"Afinal vale a pena acreditar (...), não há causas perdidas quando está demonstrada a sua bondade", afirma o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.

João de Deus Pinheiro lamenta, no entanto, que o ex-líder da resistência timorense actualmente na prisão, Xanana Gusmão, não tenha recebido o mesmo galardão concedido ao seu porta-voz pessoal e ao Administrador Apostólico de Díli.


11 Out - BISSAU: O Bispo de Bissau, D. Arturo Septimio Ferrazetta, considera que a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao seu homólogo de Díli constitui um momento de "regozijo" para a Igreja Católica, sublinhando que D. Ximenes Belo é "um grande lutador".

Defensor da causa timorense, D. Septimio Ferrazetta sublinha que D. Ximenes Belo "luta, há muitos anos, pela defesa da justiça e da liberdade do povo timorense", pelo que o prémio "acaba por se justificar plenamente".

Para D. Septimio Ferrazetta, de nacionalidade italiana e que se encontra em Bissau há mais de 40 anos, o facto de D. Ximenes Belo ter sido contemplado com tal distinção é também "um prémio para o papel que a Igreja Católica desempenha em todo o Mundo".


11 Out - COIMBRA: A atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta provocou uma consulta dez vezes superior da base de dados sobre Timor-Leste que a Universidade de Coimbra tem na rede computorizada mundial Internet.

Segundo Joaquim Ramos de Carvalho, organizador da TimorNet, a consulta média diária dos últimos sete meses situa-se em 360, mas "disparou para 2.300" nas horas seguintes ao anúncio do Comité Nobel.


11 Out - CIDADE DA PRAIA: A Assembleia Nacional de Cabo Verde aprova, por unanimidade, uma resolução congratulando-se com a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e Ramos Horta, esperando que não tarde a integração de Timor-Leste na CPLP.

Nessa resolução, os deputados cabo-verdianos manifestam a sua "satisfação e regozijo" pela distinção desses dois "incansáveis lutadores pelos direitos humanos e pela autodeterminação do povo de Timor-Leste", que luta contra a ocupação estrangeira e a sua integração como povo independente no concerto das nações.

Os deputados cabo-verdianos exortam a comunidade internacional a apoiar cada dia mais os esforços do povo de Timor-Leste na sua luta pela libertação e exercício pleno da sua soberania.

Exortam também o Governo de Cabo Verde a dar continuidade à política de apoio à causa do povo timorense, "em consonância com as normas do direito internacional, para que não tarde Timor-Leste seja parte integrante e membro de pleno direito da Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa".


11 Out - PORTO: Estudantes do ensino superior do Porto apresentam uma petição ao Parlamento para que o Orçamento de Estado de 1997 inclua uma rubrica de apoio ao povo de Timor e às suas "acções de sensibilização a nível internacional".

A petição, que poderá ser subscrita até 05 de Novembro, defende que a rubrica seja preenchida com uma "verba ajustada à gravidade da situação e à responsabilidade de Portugal, com vista a apoiar o povo de Timor e a sua autodeterminação".

O documento refere, como prioridades para utilização desse fundo, "acções de sensibilização a nível internacional, nomeadamente iniciativas no estrangeiro de grupos e movimentos, actividade de 'lobbying' e deslocações de timorenses".

O "apoio ao povo de Timor-Leste, à Resistência no interior e no exterior, à igreja e aos presos políticos timorenses", a "preparação de quadros timorenses, mediante apoio a cursos e a outras acções de formação, bolsas de estudo e facilidades de alojamento", e o "apoio a refugiados e a iniciativas de solidariedade nacional" são outras medidas preconizadas na petição.

Na introdução ao documento, os estudantes portuenses referem que "o drama timorense dura há demasiado tempo" e que "terão morrido mais de 40 por cento dos habitantes de Timor-Leste durante os seis primeiros anos de ocupação, percentagem que é superior à do auto-genocíidio do Cambodja, à do etnocídio do Ruanda ou mesmo do holocausto nazi".

"A Portugal estão imputadas responsabilidades políticas e administrativas, dado que a ONU lhe reconhece o papel de Potência Administrante", sublinha ainda o documento.


11 Out - PORTO: O PR Jorge Sampaio escusa-se a comentar a petição lançada por estudantes portuenses no sentido de ser inscrita no Orçamento de Estado uma verba de apoio a Timor, salientado que o OE "é com o Governo e não com o Presidente da Republica".

Refere, porém, que "há muitas maneiras de dar esse apoio sem estar incluído no Orçamento de Estado".


11 Out - LISBOA: O ex-PM Cavaco Silva considera que "valeu a pena a luta diplomática de Portugal" ao congratular-se com a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e Ramos Horta.

Na opinião do antigo Primeiro-Ministro, a atribuição deste prémio "é um acontecimento de relevância extraordinária para a causa de Timor".

"É o reconhecimento de que Timor é uma causa internacional, uma causa justa e actual, e não uma causa esquecida", sublinha Cavaco Silva.

"Valeu a pena a luta diplomática de Portugal ao longo dos anos para alertar a comunidade internacional para as suas responsabilidades face às atrocidades cometidas pela Indonésia e à sua recusa em permitir que o povo timorense legitimamente escolhesse o seu futuro", afirma.

Para Cavaco Silva, "a atribuição deste prémio é um impulso notável aos esforços que têm vindo a ser desenvolvidos ao longo dos anos para resolver a questão de Timor".

Trata-se, sublinha, de "uma chamada da Indonésia à razão para que respeite os direitos legítimos dos timorenses, e espero que contribua para que a Indonésia aceite a participação dos timorenses no processo negocial".

Sublinhando que "D. Ximenes Belo e Ramos Horta bem merecem esta distinção pela sua luta persistente", Cavaco Silva considera ainda que "não se pode esquecer esse símbolo da resistência que é Xanana Gusmão, que ajudou a criar as condições para que esta decisão da Academia Sueca se tornasse hoje uma realidade".


11 Out - NOVA IORQUE: O Secretário-Geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, sauda a atribuição do Nobel da Paz ao bispo D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, "esperando" que tal decisão tenha um impacto "positivo" nas negociações relativas a Timor-Leste sob a égide das Nações Unidas.

"Como todo o mundo sabe, o Secretário-Geral tem exercido desde 1983 os seus bons ofícios para encontrar uma solução justa, global e aceitável no plano internacional para a questão de Timor-Leste", refere uma declaração publicada na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Boutros-Ghali lembra que teve ocasião de consultar várias vezes D. Ximenes Belo, cuja "sapiência e empenhamento em favor da paz e dos Direitos do Homem lhe valeram o respeito do seu povo e da comunidade internacional".

Tanto D. Ximenes Belo como Ramos Horta "participaram activamente" no diálogo inter-timoreense "facilitado pelo Secretário-Geral", lê-se ainda no mesmo texto.

Boutros-Ghali "espera que este prémio afecte positivamente as negociações" em curso.

A próxima série de discussões formais entre a Indonésia e Portugal sobre Timor-Leste terá lugar a 21 de Dezembro na sede da ONU, em Nova Iorque.


11 Out - ROMA: O reitor dos Salesianos, Juan Vecchi, afirma que esta ordem religiosa "está contente e honrada" com a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao bispo salesiano D. Ximenes Belo, salientando que se tratou do "reconhecimento devido".

Em declarações à Agência Internacional Salesiana de Informação, com sede em Roma, Juan Vecchi classifica a acção de Ximenes Belo a favor da paz de "tempestiva e equânime", lembrando que foi capaz de tomar iniciativas e de servir de interlocutor nos conflitos.

"É tanto mais meritória pela perseverança com que actuou, pela convicção evidenciada no processo, apesar das contrariedades, e pela solidão do caminho percorrido", sublinha.

Nas palavras de Juan Vecchi, os esforços para a paz inspiram-se no Evangelho e correspondem à missão da igreja, mas também reflectem "o modo de fazer política de S.João Bosco", ou seja ,defender os mais pobres e usar o caminho da paz para encontrar o bem de todos.


11 Out - LISBOA: A Secção Portuguesa da Amnistia Internacional considera que "o Prémio Nobel da Paz foi atribuído ao bispo Ximenes Belo e a José Ramos Horta pelo seu esforço na procura de uma solução política pacífica para a questão de Timor-Leste".

Ao comentar a decisão do Comité Nobel, a AI lembra ainda os timorenses mortos, torturados ou presos por também defenderem a causa timorense.


11 Out - LISBOA: O núcleo "Por Timor" da Universidade Católica considera a atribuição do Nobel da Paz a Ramos Horta e a D. Ximenes Belo o corolário de muitos anos de trabalho da comunidade timorense na luta pelo respeito dos direitos humanos e pela autodeterminação do território.

A Universidade Católica, através do seu vice-reitor, congratula-se com a atribuição do Nobel da Paz aos dois timorenses.

Destaca que D. Ximenes Belo, antigo aluno da Universidade Católica, "é um homem de Igreja e um lutador pelos direitos humanos" e considera que a atribuição do Prémio a esta personalidade eclesiástica "é um acto de justiça".

Ramos Horta "tem pugnado pela mesma causa de justiça em prol de um povo sofredor", acrescenta a instituição universitária.


11 Out - LISBOA: A Representação Externa da Associação Socialista de Timor considera a atribuição do Nobel da Paz um acto de justiça da comunidade internacional e o reconhecimento inequívoco da luta do povo timorense pela autodeterminação e independência.

Por sua vez, a Comissão para os Direitos do Povo Maubere (CDPM), organização não governamental portuguesa de solidariedade para com Timor-Leste, felicita publicamente D.Ximenes Belo e Ramos Horta pela atribuição do Prémio.

"Apesar do que têm significado quase 21 anos de ocupação indonésia em Timor-Leste, esta hora é de grande alegria", frisa a CDPM.

A associação "A Paz é Possível em Timor-Leste" também se regozija com a atribuição do Prémio Nobel, considerando que "aumentará a pressão sobre o Governo da Indonésia" para que aceite o diálogo e uma solução internacionalmente aceitável para o problema timorense.

Um "claro reconhecimento do justo esforço" das duas personalidades galardoadas é como a Intervenção Democrática (ID) considera a decisão do Comité Nobel da Paz.

O Prémio "constitui um apelo à comunidade internacional para que, com eficácia política, sem tibiezas e subjugações a interesses geoestratégicos, apoie o povo timorense nos seus objectivos" de paz e autodeterminação, diz a ID.

Este "apelo" estende-se igualmente - acrescenta a Intervenção Democrática - ao Governo português, sobre o qual recaem agora "maiores responsabilidades" no tratamento diplomático do problema, de modo a contribuir para "o reconhecimento dos anseios do povo maubere e para a paz na região".


11 Out - FUNCHAL: O presidente do Governo Regional da Madeira afirma "estar muito satisfeito" com a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta.

Para Alberto João Jardim, D. Ximenes Belo e Ramos Horta vêem, agora, recompensada "a luta pelos direitos humanos que desenvolveram ao longo destes anos".

"A ditadura da Indonésia deve ser reprovada pela consciência internacional e eu penso que o povo da Madeira respira todo com este Prémio Nobel”, acrescenta Alberto João Jardim.


11 Out - PORTO: O Presidente da República, Jorge Sampaio, declara à CNN que, depois da atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta, o problema de Timor-Leste não pode mais continuar a ser ignorado.

Em directo para a cadeia norte-americana a partir da cidade do Porto, Jorge Sampaio afirma que "é agora claro que esta decisão da academia norueguesa traz para a cena internacional esta importante causa".

O Presidente da República manifesta a sua "alegria e regozijo" pela "atribuição meritória" do Prémio Nobel da Paz ao bispo D. Ximenes Belo e ao representante especial da resistência timorense no exterior, José Ramos Horta, "que sempre lutaram pela autodeterminação e defesa dos direitos humanos em Timor-Leste".

"É um grande dia e eu estou muito satisfeito pela atribuição deste Nobel a quem, de facto, representa essa grande luta e poderá ser uma grande contribuição para as negociações que decorrem sob a égide da ONU", diz o PR.

Jorge Sampaio manifesta a esperança de que, a curto prazo, se encontre uma solução internacionalmente aceitável para o problema e que os "timorenses possam, em breve, escolher livremente o seu futuro. "

"É também um grande dia para a comunidade internacional que, na sua grande maioria, quer ver este problema solucionado", sublinha.

Questionado sobre a reacção negativa da Indonésia à atribuição, Jorge Sampaio afirma: "tenho que admitir que este tenha sido um mau dia para a Indonésia e um grande dia para os defensores da causa de Timor-Leste".

Ao longo do dia, o Presidente da República enviou mensagens pessoais aos dois laureados e falou ao telefone com José Ramos Horta.

Jorge Sampaio leu ainda uma mensagem pela RTP-Internacional e pela RDP-Internacional, as duas estações portuguesas que alcançam Timor-Leste.


11 Out - LISBOA: A atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta é acolhida com júbilo por governos, igreja, partidos políticos e instituições de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

O cardeal angolano e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe, D. Alexandre do Nascimento, manifesta alegria e esperança na felicidade do povo timorense e afirma que a "entrega do prémio a um bispo é extensiva a toda a Igreja Católica".

Para o bispo de Cabo Verde, D. Paulino Évora, e para o bispo de Bissau, D. Arturo Septimio Ferrazetta, a distinção representa a consagração dos esforços do prelado timorense em "prol da paz e dos direitos do seu povo" e "uma contribuição importante na batalha para o reconhecimento da causa do povo oprimido de Timor-Leste".

O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Marcolino Moco, aproveita a ocasião para anunciar a criação de um grupo de estudo para analisar a eventual participação de Timor-Leste nos trabalhos da organização.

"Vamos criar um grupo de estudo para que Timor-Leste possa participar na nossa comunidade, que é de Estados, mas fundamentalmente uma comunidade de sentimentos", salienta Moco, acrescentando que o prémio representa "um grande estímulo para a luta pela autodeterminação e dignificação do povo timorense".

O governo cabo-verdiano expressa o desejo de que a "Indonésia saiba interpretar correctamente o significado político" da atribuição do Nobel da Paz de 1996, enquanto a Assembleia Nacional aprova por unanimidade uma resolução congratulando-se com a distinção daqueles dois laureados.

O líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, na oposição), Aristides Lima, afirma-se "particularmente feliz" pela distinção e formula votos para que os timorenses venham a ter uma pátria desocupada completamente e membro de pleno direito da CPLP.

Dois dos principais partidos da oposição, RGB/MB e UM, manifestam "satisfação" pela distinção, que consideram uma "vitória" para a causa timorense.


11 Out - RIO DE JANEIRO: A questão de Timor-Leste é, pela primeira vez, tema de abertura dos telejornais no Brasil, com a notícia da atribuição do Prémio Nobel da Paz de 1996 a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta.

A quase total ignorância da opinião pública brasileira em relação à luta pela autodeterminação do povo de Timor fez com que as notícias assumissem um tom didáctico, com referências detalhadas à localização da ilha e ao motivo da atribuição do galardão ao líder da resistência timorense e ao bispo de Díli.


12 Out - JACARTA: A Comissão dos Direitos Humanos da Indonésia, um organismo oficial criado em 1993 pelo presidente Suharto, põe em causa a responsabilidade das autoridades nos distúrbios de finais de Julho em Jacarta.

Segundo aquele organismo, os distúrbios foram provocados pela intervenção do governo e do exército nos assuntos internos de um partido político.

A comissão anuncia igualmente que, em consequência dos distúrbios, cinco pessoas morreram, 149 ficaram feridas e outras 23 foram dadas como desaparecidas.

Um membro da comissão, Baharudin Lopa, afirma que a violência "não pode ser separada do conflito interno provocado por interferências externas nos assuntos do Partido Democrata Indonésio".


12 Out - JACARTA: A imprensa indonésia reage em geral negativamente à atribuição do Prémio Nobel da Paz de 1996 a Dom Ximenes Belo e a José Ramos Horta, mostrando-se surpreendida e chocada pela escolha do Comité Nobel.

Os artigos limitam-se essencialmente a extractos de despachos das agências noticiosas e a comentários críticos feitos por diversas personalidades políticas, religiosas ou intelectuais indonésias.

"Habitualmente mais digno de respeito, o comité do Prémio Nobel enxovalhou-se a si próprio", diz num editorial o jornal "The Observer", em língua inglesa.

O mesmo periódico defende que a escolha do Comité Nobel "foi deliberadamente feita para embaraçar as autoridades indonésias numa altura em que encetam esforços consideráveis para melhorar tanto quanto possível a grave situação herdada de Portugal, a antiga potência colonial" de Timor-Leste.

O "Jakarta Post" informa, por seu lado, que o Nobel da Paz foi atribuído "ao indonésio Belo".

O periódico "Media Indonesia" refere em editorial que é "surpreendente e muito chocante que um aventureiro como José Ramos Horta obtenha o prémio". O mesmo jornal afirma que "a tragédia de Timor-Leste é a má herança do colonialismo de Portugal".

A agência noticiosa oficial Antara cita, por seu lado, declarações de timorenses que colaboram com as autoridades indonésias, em que criticam a atribuição do Nobel da Paz a José Ramos Horta. "Ao bispo Belo, ainda posso compreender", declarou, segundo a Antara, Ximenes Soares, um deputado timorense.

A agência cita também o embaixador da Indonésia na Austrália, Wiryono Sastrohandoyo, segundo o qual "as mãos de Horta estão demasiado cobertas de sangue para poder receber o Prémio Nobel".


12 Out - LISBOA: O Presidente da República, Jorge Sampaio, contacta telefonicamente o Bispo D. Ximenes Belo em Díli para o felicitar por ter sido galardoado com o Prémio Nobel da Paz.

Sampaio, que já anteriormente felicitara também telefonicamente o outro Prémio Nobel, Ramos Horta, diz a D. Ximenes Belo esperar que o galardão sirva a causa de Timor-Leste.


12 Out - PEQUIM: A imprensa chinesa ignora a atribuição do Nobel da Paz de 1996 ao bispo D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, revelando a desconfiança de Pequim em relação àquele Prémio.

O Prémio Nobel da Paz já foi atribuído ao Dalai Lama, o exilado líder político e espiritual do Tibete, e um dos candidatos deste ano, Wei Jingsheng, símbolo do movimento pró-democracia na China, era também uma figura muito incómoda para o governo chinês.

A China e a Indonésia estiveram sem relações diplomáticas durante cerca de 25 anos devido a um alegado envolvimento de Pequim num golpe de estado pró-comunista em Jacarta, em 1965, mas as relações foram restabelecidas em 1990.


12 Out - LISBOA: A atribuição do Prémio Nobel da Paz ao bispo D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta é noticiada em praticamente todo o mundo, em particular em Portugal, Espanha, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Macau.

Para a generalidade da imprensa de Portugal, o galardão significa também, além do reconhecimento internacional da luta do povo timorense, uma vitória da diplomacia de Lisboa nos seus esforços para chamar a atenção sobre o caso de Timor-Leste, antiga colónia portuguesa desde o século XVI anexada em 1975 pela Indonésia.

O Nobel da Paz é tema principal na primeira página de todos os diários e semanários de Lisboa e Porto, ocupando por inteiro a capa do "Público" e do "Diário de Notícias".

"E depois do Nobel a paz?", pergunta o "Diário de Notícias", enquanto o "Público", titulando "A bênção do Nobel", afirma que "O comité norueguês reconhece legitimidade à causa timorense", dedicando cada um deles dez páginas ao assunto. De "Prémio à coragem" fala o "Correio da Manhã", que qualifica Ximenes Belo de "símbolo de um povo" e Ramos Horta de "diplomata da guerrilha".

O "Expresso" divulga declarações de Ximenes Belo a este jornal, em que o bispo considera que "Ramos Horta merece o Nobel mais do que eu (Ximenes Belo)", justificando que Horta "tem mantido vivo, a nível internacional, o problema de Timor".

O "Jornal de Noticias" destaca "Nobel da Paz dá força a Timor", "Prémio da academia é uma bomba no regime indonésio", "Ramos Horta: distinção deveria ter ido para Xanana Gusmão" e "Ximenes Belo: Continuarei a defender a harmonia entre os homens", enquanto o "Comércio do Porto" salienta "Paz para a causa timorense" e o "Primeiro de Janeiro" titula "Nobel da Paz por Timor".

O Nobel da Paz é ainda noticiado com destaque pelo "Diário de Coimbra", "Diário as Beiras", "Diário Regional Aveiro - Viseu", "Correio dos Açores", "Açoriano Oriental", "Diário Insular", "Diário de Notícias" (da Madeira), "Jornal da Madeira" e "Macau Hoje".

O assunto é também noticiado com destaque pelos jornais espanhóis "El Pais", "El Mundo" e "ABC", pelos franceses "Le Monde", "L´Humanité", "Libèration" e "Figaro", pelos britânicos "The Times", "Financial Times", "The Daily Telegraph" e "Evening Standard" e pelos norte-americanos "The Washington Post" e "The Washington Times", além de ter merecido a atenção de numerosas televisões e rádios de todo o mundo, incluindo a CNN.


12 Out - GENEBRA: O Conselho Ecuménico das Igrejas, composto por 300 igrejas cristãs de mais de cem países, saúda D. Ximenes Belo e José Ramos Horta por terem sido distinguidos com o Prémio Nobel da Paz.

O Secretário-Geral do Conselho, Konrad Kaiser, qualifica D. Ximenes Belo de "pilar à volta do qual a população de Timor-Leste alicerçou o seu combate" e o responsável da mesma organização pelas questões internacionais, Clement John, rende homenagem a Ramos Horta que, "quase sózinho, trabalha sem quebras para manter a nível internacional a questão de Timor-Leste na ordem do dia".


12 Out - TÓQUIO: O Partido Democrático do Japão (PDJ) emite um comunicado saudando a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta e apela ao governo da Indonésia para que se retire do território que ocupa desde Dezembro de 1975.

O PDJ solicita ao governo indonésio que "reflicta cuidadosamente" sobre o significado da decisão do comité que concedeu o Nobel da Paz aos dois dirigentes timorenses, assumindo a entrega do prémio "como um consenso da opinião mundial", e que "saia da ilha respeitando o direito da sua população à autodeterminação".


12 Out - DÍLI: Uma multidão de cerca de 3.000 pessoas acolhe entusiasticamente o bispo D. Carlos Ximenes Belo à sua chegada à igreja de Motael, em Díli, um dia depois de ter sido galardoado com o Prémio Nobel da Paz.

De acordo com testemunhas, D. Ximenes Belo, citado pelo Comité Nobel pelos seus esforços a favor de uma resolução pacífica do conflito de Timor-Leste, sorriu para a multidão e inclinou a cabeça em sinal de agradecimento.

"Este prémio mostra que a comunidade internacional está cada vez mais consciente do sofrimento de um pequeno grupo de pessoas que há muito tem sido esquecido", afirma à multidão o vigário-geral da Diocese de Díli, padre José António da Costa.


12 Out - JACARTA: A agência indonésia Antara noticia que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Indonésia, Ali Alatas, que se encontra em Hamburgo, Alemanha, considerou Ramos Horta um oportunista político que foi expulso de Timor Leste pelo seu próprio povo.

"É realmente lamentável que a escolha (do Prémio Nobel da Paz) desta vez tenha sido baseada num critério políitico tendencioso", afirmou Alatas, citado pela Antara.

O director de informação do ministério dos Negócios Estrangeiros indonésio, Ghaffar Fadhyl, expressa igualmente o "pesar" do país pelo facto de "um oportunista político" ter sido o premiado com o Nobel da Paz deste ano.

"O governo indonésio considera (Ramos) Horta um oportunista político que manipula a situação política em Timor Oriental", afirma Fadhyl ao jornal "Jakarta Post".


12 Out - SIDNEY: Dezenas de timorenses e australianos reúnem-se na sede de uma organização timorense em Sidney para comemorar a atribuição do Prémio Nobel da Paz a José Ramos Horta e ao Bispo D. Ximenes Belo.

Ramos Horta é recebido com grandes aplausos e com músicas e danças timorenses no edifício da "East Timor Relief Association", uma organização que, entre outras actividades, promoveu o programa de paz do líder do Conselho Nacional da Resistência Maubere.

O premiado com o Nobel da Paz refere que a notícia sobre o Nobel da Paz terá já sido comunicada a Xanana Gusmão.

"Recebi uma mensagem da parte dele, por vias indirectas, que disse que Xanana se manifestou completamente feliz, satisfeito e excitado com a escolha, tendo indicado que ela não poderia ter sido melhor", afirma Ramos Horta.

Sobre D. Ximenes Belo, Ramos Horta manifesta a vontade de dar ao bispo "um caloroso abraço".

"Ele (D. Ximenes Belo) sempre teve confiança em mim. No passado enviava mensagens dando todo o apoio e confiança", sublinha.

Segundo Ramos Horta, os contactos com o bispo co-laureado com o Nobel da Paz poderão agora ser alterados: "Depende da disponibilidade de Ximenes Belo. Na resistência estamos sempre abertos a consultas com a Igreja. Porém, é importante separar o funcionamento da Igreja da resistência. Temos muita cautela em não prejudicar padres em Timor, que podem ser pressionados pela Indonésia".


12 Out - NOVA IORQUE: O representante permanente da Indonésia nas Nações Unidas, Nugroho Wirnumurti, garante que Jacarta não mudará a política que tem seguido em relação a Timor-Leste por causa do Prémio Nobel.

"A Indonésia provou que nunca cede a pressões no caso de Timor-Leste. Quanto mais forte é a pressão, mais duros nos tornamos", afirma o embaixador Nugroho Wisnumurti ,citado pela agência Antara.

Nugroho considera que o prémio resultou de uma visão ocidental desfavorável à Indonésia e adverte que a decisão do Comité Nobel tornará ainda mais difícil uma solução para o conflito timorense.


12 Out - ESTOCOLMO: Em declarações à televisão sueca, José Ramos Horta acusa a Suécia de "não ter cumprido a sua palavra" ao retomar as exportações de armas para a Indonésia e assegura que se irá "opor com firmeza" à candidatura de Estocolmo a um lugar de membro não-permamente do Conselho de Segurança da ONU.

"Estou muito desiludido que a palavra que me tinha dado Pierre Schori (actual ministro da Ajuda e Desenvolvimento) não tenha sido cumprida", refere Ramos Horta.

Segundo a televisão, Schori tinha afirmado ao dirigente timorense, antes do regresso dos sociais-democratas suecos ao poder, em 1994, que não iriam vender armas à Indonésia, na medida em que esta ocupava Timor-Leste (anexado em 1975) e violava os Direitos do Homem.

Em 18 de Abril, o Governo social-democrata autorizou a retoma das exportações de armas para Jacarta, após dez anos de interrupção, dando assim "luz verde" à venda de três novos canhões "Bofors" para equipar os navios da Armada indonésia.

A agência sueca TT publica declarações no mesmo sentido de José Ramos Horta. Ao ser questionado pela agência sobre a sua alegada promessa de que o Partido Social-Democrata não autorizaria a venda de armas à Indonésia, o ministro Pierre Schori acusa o dirigente timorense de estar "mal informado", mas escusa-se a fazer mais comentários.


13 Out - DÍLI: As autoridades indonésias reforçam a segurança em Díli, dois dias antes da chegada do presidente Suharto à capital timorense para uma curta visita.

A deslocação de Suharto a Díli, onde inaugurará uma estátua de Cristo, já estava prevista, mas ocorre após a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, duas personalidades favoráveis à autodeterminação de Timor-Leste.

Durante a sua passagem por Díli, onde não se deslocava desde 1989, o presidente indonésio deverá encontrar-se com D. Ximenes Belo.

O bispo timorense confirmou anteriormente que estará presente nas actividades previstas no programa oficial, mas que não terá nenhum encontro particular com Suharto.


13 Out - DÍLI: O Governador de Timor-Leste nomeado pela Indonésia, Abílio Osório Soares, acusa José Ramos Horta, laureado com o Prémio Nobel da Paz, de sancionar o assassinato e tortura de timorenses.

Abílio Osório Soares - que considerou merecido o galardão atribuído ao bispo D. Ximenes Belo - afirma que Ramos Horta aprovou uma série de assassinatos, torturas e detenções de timorenses efectuadas pelos seus cúmplices durante a guerra civil de 1975 contra a ocupação portuguesa de Timor-Leste.

Segundo Soares, Ramos Horta é um antigo guerrilheiro que declarou unilateralmente a independência de Timor-Leste de Portugal, país onde agora se abriga.

"É preciso questionar o que está por detrás de todos estes truques", afirma Abílio Osório Soares, citado pela agência Antara.


14 Out - WASHINGTON: O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Bob Dole, questiona se um subsídio indonésio à campanha de Bill Clinton terá influenciado a políitica do Presidente relativamente a Timor-Leste.

A questão do subsídio de 425 mil dólares oferecido pelo casal Riady, cuja família controla o grupo indonésio "Lippo", ao Partido Democrata é também referida num artigo de opinião publicado no "New York Times", cujo autor, William Safire, pergunta que conselhos terão sido dados a Clinton sobre a violação dos direitos humanos em Timor-Leste.


14 Out - COLÓNIA: O co-laureado com o prémio Nobel da Paz José Ramos Horta exorta o chanceler alemão Helmut Kohl a comprometer-se pelo respeito dos direitos humanos e as regras democráticas na Indonésia, no decorrer da visita que efectuará àquele país entre 25 e 29 de Outubro.

"Nenhum outro país da Europa tem o peso e a influência que a Alemanha tem na Indonésia", sublinha Ramos Horta, entrevistado a partir de Sidney, Austrália, pela rádio "Deutsche Welle", de Colónia.

José Ramos Horta manifesta também o desejo de que o presidente Suharto aproveite a visita que efectuará no dia 15 a Díli para anunciar medidas em prol dos direitos humanos, citando a libertação de prisioneiros e o fim das torturas e das execuções sumárias.

Em troca, promete José Ramos Horta, "nós estamos prontos a parar com as acções de guerrilha e de protesto".


14 Out - WASHINGTON: O jornal "Washington Post" escreve que as causas que muitas vezes parecem perdidas "nem sempre falham", num editorial sobre Timor-Leste, em que se congratula com a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta.

A lição a extrair da atribuição do Nobel da Paz - realça o jornal norte-americano - é que as causas que muitas vezes parecem perdidas, como foram os casos de Andrei Sakharov e Lech Walesa, "nem sempre falham".

O editorial começa por recordar o incidente em que um soldado indonésio matou um estudante liceal timorense desarmado e que foi condenado a oito meses de prisão. "A morte do rapaz mereceu pouca atenção mundo fora e não é provável que a História se lhe refira. Mas o Prémio Nobel concedido sexta-feira a dois líderes de Timor-Leste, em essência, presta homenagem ao rapaz e a milhares dos seus compatriotas que têm morrido de fome, lutando, ou sob o terror oficial desde que a Indonésia anexou a sua terra há dois anos", acrescenta.

O "Post" diz ser de esperar que a atribuição do Prémio chame a atenção para a luta de Timor-Leste, persuadindo a Indonésia a rever a sua errada e falhada política de repressão e forçada integração do território.

O jornal recorda que o Bispo Ximenes Belo, "destemida e incansavelmente, tem advogado uma solução pacífica" para o conflito. Classificando-o como "o mais influente líder do predominantemente católico Timor-Leste", o jornal refere que D. Ximenes Belo nunca advogou qualquer solução política, mas antes tem procurado defender os direitos humanos dos seus seguidores, exortando-os a não recorrerem à violência em termos de confronto com os soldados indonésios.

Segundo o "Post", Ramos Horta tem desempenhado um papel mais político, mas sublinha que nos últimos anos tem também advogado "uma solução pacífica, apelando à Indonésia para permitir o referendo sobre o futuro de Timor-Leste".


14 Out - BANGUECOQUE: José Ramos Horta afirma estar disposto a deslocar-se a Jacarta para conversações com as autoridades indonésias sobre a questão de Timor-Leste "sem condições prévias".

"Não alimento quaisquer ressentimentos contra os indonésios e estou disposto a encontrar-me com o ministro dos Negócios Estrangeiros Ali Alatas para tentar resolver o conflito sangrento no meu país", diz Ramos Horta, numa entrevista ao diário de língua inglesa de Banguecoque "The Nation".

"Estou disposto a viajar até Jacarta para falar com o governo indonésio sem condições prévias", sublinha o dirigente timorense.

Na entrevista ao "The Nation", Ramos Horta admite ser responsável por incitar os timorenses a separarem-se da Indonésia, tal como foi acusado por Jacarta ao ser anunciada a atribuição do Nobel da Paz.

"Sou tão culpado como Aung San Suu Kyi por incitar os birmaneses a lutarem pela liberdade e pela democracia e como o Dalai Lama por lutar pela independência do Tibete em relação à China", acrescenta.


15 Out - DÍLI: O presidente Suharto da Indonésia chega a Díli às 09:25 locais para efectuar uma visita de algumas horas, seguindo de imediato do aeroporto de Comoro para a residência oficial do Governador de Timor-Leste, onde recebe cumprimentos dos membros da assembleia do território e outras individualidades civis e militares.

Suharto cumprimenta o bispo D. Ximenes Belo, mas não felicita o prelado por ter sido galardoado com o Prémio Nobel da Paz.

Durante a audiência, o presidente Suharto profere um discurso para defender o desenvolvimento económico registado nos últimos anos em Timor-Leste, mas reconhece que "a sociedade local enfrenta muitos problemas e um deles é a falta de emprego".

Segundo Suharto, o crescimento económico anual em Timor-Leste é da ordem dos 10 por cento, superior ao crescimento global da Indonésia, que é de 6,8 por cento.

"Sob a Administração indonésia, existem hoje em Timor-Leste 811 escolas e quatro universidades em vez dos 51 estabelecimentos de ensino que existiam no tempo do regime colonial", sublinha.

Durante a sua curta visita, o presidente Suharto inaugura uma série de empreendimentos e uma estátua de Jesus Cristo, com 27 metros de altura, mandada construir pela Administração indonésia.

Antes de deixar Timor-Leste, o presidente indonésio sobrevoa parte do território num helicóptero acompanhado por diversas individualidades, incluindo o bispo D. Ximenes Belo.

A curta visita de Suharto a Díli, a primeira desde 1988, decorreu sob fortes medidas de segurança, o que não impediu que, cerca de duas horas antes da chegada do Presidente da República Indonésia à capital timorense, mais de 100 estudantes se manifestassem na Universidade de Timor-Leste.

Os estudantes queimaram grandes quantidades de papel no exterior da universidade em protesto contra a visita de Suharto, mas foram obrigados a dispersar pela polícia.


15 Out - SIDNEY: José Ramos Horta, laureado com o Nobel da Paz, classifica a visita de Suharto a Díli como uma pura acção de propaganda e considera "vergonhoso" que o presidente indonésio não tenha mantido qualquer encontro a sós com o bispo D. Ximenes Belo.

"A inexistência de um encontro (com D. Ximenes Belo) só reforça os argumentos dos críticos da inauguração da estátua, que dizem que se trata de uma total manipulação política", afirma José Ramos Horta.


15 Out - MACAU: O bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, considera que a inauguração de uma estátua de Cristo-Rei em Díli pelo presidente Suharto "é uma infâmia".

"A política é uma arte nobre, mas uma política vivida e praticada assim é uma infâmia", afirma D. Manuel Martins, que efectua uma visita a Macau.

Manifestando "total incompreensão" pelas razões que levaram o presidente Suharto a mandar construir e inaugurar uma estátua de Cristo-Rei em Díli, o Bispo de Setúbal considera ainda que a atribuição do Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta incomoda "algumas pessoas e potências".

"A atribuição do prémio vai funcionar como um verdadeiro terramoto na consciência internacional dos grandes 'figurões' deste mundo", sublinha D. Manuel Martins.


15 Out - BONA: O Primeiro-Ministro, António Guterres, apela para que o chanceler alemão Helmut Kohl intervenha junto do presidente Suharto da Indonésia no sentido de os direitos humanos serem respeitados em Timor-Leste.

Numa entrevista à rádio alemã "Deutschlandfunk", António Guterres congratula-se com a atribuição do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo, elogiando o seu papel na defesa da autodeterminação de Timor-Leste.

Helmut Kohl visita oficialmente a Indonésia de 25 a 29 de Outubro, no âmbito de uma ronda asiática que o levará igualmente às Filipinas e ao Japão.

O governo alemão limitou-se a dizer que "respeitava" a decisão de atribuir o Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a José Ramos Horta.


15 Out - LUANDA: O governo angolano felicita o povo de Timor-Leste e os dois laureados com o Prémio Nobel da Paz, o bispo D. Ximenes Belo e José Ramos Horta, considerando que o galardão foi o "mais alto reconhecimento internacional da causa timorense".

"A atribuição de tão alto galardão a estas duas individualidades demonstra a nova consciência da comunidade internacional em relação à causa do povo timorense pelo exercício dos seus direitos inalienáveis", lê-se num comunicado oficial.

No documento, o governo de Angola considera ainda que este reconhecimento constitui um incentivo determinante para a concretização dos objectivos do povo timorense no sentido do "respeito pelos direitos humanos, justiça e paz".

O governo angolano manifesta também a sua "convicção" de que "tudo venha a ser diferente daqui para o futuro".


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